Um último toque de bola.

Não sei se consigo escrever aqui de novo.

Ainda tenho ideias (na verdade nem tenho, apenas alguns lampejos), contudo este blog ficou carregado, pesado pra mim. Olho para ele e vejo como um diário – que coisa de moça – onde escrevi como via a vida durante tal período. Sinto que este blog serviu como relato das coisas que não andavam pelo caminho correto. Usei-o como uma forma de desabafo, de tirar das minhas costas o peso por tanta coisa que acontecia, sendo elas boas ou ruins. Apesar de ter um nome cômico, ele carrega consigo o karma – alguns acreditam, outros não – de acontecimentos que me marcaram, como vocês podem ter lido aqui. Não significa que vou fechá-lo, apenas creio que vou mudar de lugar, começar numa casa nova, provavelmente em 2012. Quero escrever coisas novas, sei que ainda posso. Sinto que mudanças virão, 2011 foi um ano levemente conturbado para mim, mesmo com uma porção de coisas boas, ficou marcado como um ano, sabe, “estragado”. Bom, o blog continua aberto, podem visitá-lo, lê-lo, enfim, mas não sei se voltarei a postar aqui.

E se voltar, provavelmente vai ser em algum jogo beneficente.

Quando eu escrevo pequenos post parece trovoadas anunciando a chuva que esta por vir. Ou o foguetório anunciando que a polícia tá subindo e o bicho vai pegar.

(Me achei agora o furacão Katrina e a Tropa de Elite.)

Ele era um cara acomodado. Sentado no sofá, via TV e a vida passar. O sol vinha, a lua saia e ele lá, comendo Doritos e tomando água. Longe de ser preguiçoso, só que quando ia jogar bola, preferia ser quarto árbitro. Levantar placa de acréscimo dá menos trabalho, dizia. Um dia, teve a bela idéia de escrever o melhor texto do mundo. Melhor que qualquer autor clássico, que toda história surreal. Mas deixou pra lá. A mão suja de Doritos ia cagar todo o teclado. E nem tinha água por perto.

- Porra, sujou o teclado todo. Mãe, pega água pra mim?

Olá caros leitores. Não, eu não sucumbi aos voodoos nem as hecatombes nucleares, apenas estou en(ganja)do num outro projeto. Porém não pensemape que os abandonei, digo que penso em novos textos cheios de mistérios, romances, sedução e uma turminha que vai armar muitas confusões. É só questão de tempo para eu voltar. Aliás, acho que este tipo de post é o mais freqüente por aqui. Até um futuro breve e próximo.

Não sei porque, mas toda vez que eu entro aqui me dá um orgulho de saber o quanto eu já escrevi. Quem diria.

Numa lanchonete na beira duma larga avenida qualquer, deus e o diabo tomavam um guaraná e comiam suas respectivas coxinhas. Na TV, uma missa.

- Quanto de perfume você usa pra disfarçar esse cheiro?
- Duas gotinhas, como diria a loira. E o que você passa na mão pra tirar o sangue dos inocentes que morreram pelo teu nome, hein?
- Sabão de coco resolve. Mas olha só, como vão as coisas por lá?
- A mesma coisa de sempre, você bem sabe. Dizer que tá um inferno é uma redundância total. E seu reino, na paz?
- Ah… Ultimamente anda vazio. Os que tão lá, bem, tão lá faz tempo. Hoje em dia ninguém mais acredita nesse negócio. Quer dizer, tem as tais das 70 virgens, mas esse departamento não é meu. O meu é o do conforto e os caixões que tem por ai tão mais confortáveis que umas nuvenzinhas e o povo prefere virar comida de bactéria do que levar uma vida eterna.
- Acontece. No meu caso, minha cota de publicitários tá quase sempre no limite. Os safados sempre mudam de nome. Hoje publicitários, amanhã marqueteiros, isso sem falar que cada um é uma coisa que vão se salvando. Mídia, redator, diretor. Um saco, bando de mentirosos deslavados. E os políticos, então?! É capaz que esse ano se emancipam, vão ter um inferno particular, especial. Tudo de primeira, dos chicotes franceses aos pregos chineses. Mas vem cá, não querendo confusão, só que as vezes aparece um dos seus por lá. Não se contentam em só colocar a hóstia na boca dos outros e bem…
- É, tô sabendo, eu entendo. Ou não. Os de antigamente eram menos assim. Quer dizer, não menos assim, até acontecia umas gracinhas, umas catequizações forçadas, aquilo tudo que já se sabe, mas desse tipo é novidade. Criancinhas? Foda, nem eles se salvam.
- Eeee… Olha a boca!
- Rá! Você me falando isso? Você?!
- Alguém tem que falar, porque não eu, hein?

O diabo vai morder sua coxinha e no meio encontra uma minhoca. Retira a mesma e saboreia o bichinho. deus apenas dá uma risadinha.

- Ergh! Tinha que ser coisa sua pra ser doce assim.
- Vê outra pra mim? E você, nesse caos todo, acha que alguém se salva?
- Difícil. Mesmo os “bonzinhos” tem lá sua podridão, seu dedinho necrosado. Mudando de assunto, e o J., como tá?
- Tá bem, vive tranqüilo. Não tem muito o que fazer, acho que ele superou tudo aquilo. O que não sabem é que ele não gosta daquela coisa de salvador, foi um mais como um teste pra ele, ele foi o escolhido e deu. Não tem esse negócio de super-poderes, nunca teve. Ele só foi diferenciado no modo de ser, de falar. É um primeiro ministro, o garoto. Bem, tenho que ir. Você paga?
- Pago, pago. Vamos marcar um xadrez, um joguinho. War, se bobear?
- Eu posso ir com o Ahmadinejad e você com o Ob’?
- Tudo bem, tudo bem. Até depois. Nos falamos.
- Até, barbudo.
- Cuidado pra não pisar no rabo nem bater os chifres por ai, hein.
- Pode deixar

deus sai andando, assobiando um de seus hinos. “O Senhor é santo, ele está aqui. O Senhor é santo, eu posso sentir”. O diabo faz a úlcera do balconista doer, sua visão ter uma princípio de catarata. “Não lavar a mão depois de pegar dinheiro é pecado, sabia?”. E fica tudo certo entre os três mundos: Os deles e o nosso.