Um pré-prefácio

6685a5a464571fd352dd7f7387e281a8O Maxismo, fundado pelo filosofo da under-web chinesa Ling Ling Lee Tse Tung Jackson (2017-2100), nos períodos que antecederam a guerra branca, é a vertente artista, tendo raízes no movimento Confusãonismo,  que prometia, cumprindo, do começo, meio e fim, ser o que o Pré-barroco, Barroco, Pós-barroco, Neo-barroco e, em outra escala, o Rocócó e o Minimalismo, não conseguiram ser em suas essências: a saturação absurda, a luz que cega com a própria sombra, a busca incessante por likes e visualizações, o olho maior que o estômago, o ultra excesso abundante, o cérebro que formiga, o estimulo que machuca, esfola a compreensão.

Explicava Tse Tung: “São as três cores dos semáforos – vermelho, amarelo e verde – unidas com as outras 4 que sobram do arco-iris, mais as 255 cores RGB – podendo ter um up-gra-to-date de 1.000 cores Pantones ® em sua versão 32 bits ou 1 tera de memória, vindo com os pacotes expansivos círilico, thai, arabe e braile, em sua versão amorfa.”

Idade Pós-Ansiolítica

Hoje as coisas estão confusas, irritadas, ansiosas, nervosas demais.

Tudo está travado, lento por querer ser rápido e acabar por se esbarrar em suas incapacidades.

Toma-se café e açúcar na intenção de acalmar-se e confortar-se, mas só se consegue mais desespero sintético, mais de uma angustia que dá dó.

Perturbam as portas que abrem e fecham incessantemente, as pessoas que passam e despedem-se, cochicham qualquer coisa, desapercebidas, pensam passageiras, caminham com passos que esfolam o chão, estragam as solas, desarrumam o tempo.

Tudo agitado, tudo imune, tudo tenso.

Este é um texto rápido, para uma leitura rápida, assim como a luz do Sol que chega a Terra.

E é só Quinta, imagina Sexta, imagina na Quarta de manhã quando você chegar da viagem de LSD que fez sem o chefe saber.

Imagina como era antes, imagina outro dia.

Porque imaginar agora tá complicado, tem um grito chamando minha atenção aqui do lado, peraí que eu já vou.

Vai-se, vai-se, vai-se cada vez mais pra baixo em busca de algo novo, algo que sacie essa impaciência de implorar para o tempo passar, implorar de pé juntos crucificados numa encruzilhada ardida, nem um minuto a mais.

Nessa gostosa espera de uma novidade, o gozoso momento em que o fim não chega e a agulha adentra cada vez mais em minha testa; fecho os olhos de emoção, antes isso do que ficar sem, aí não!

O meu futuro é nebuloso como a fumaça da chaminé do Papa e os tempos modernos ficaram para trás como a despedida de um filme piegas.

Foi o que apenas escrevi com a cabeça acima das nuvens, cego pelo sol que brilha para todos, todos que querem o sucesso e a fama, uma casa grande e um belo espécime ao lado e que estão cegos por esses normas e leis fajutas como ouro de tolo.

Onde está minha bengala e meus óculos escuros? Só sinto as cicatrizes abertas em minha carniça viva.

Mas no início eram só bobagens cuspidas entre perdigotos de coxinha e coca-cola; agora no fim todos levam a sério como a última coisa em modelo de novidade.

Entendeu? Não?

Não tem problema, eu só escrevi isso para parecer inteligente.

Eu sei que tá fraco como chá de camomila, mas que faz curar sua dor de barriga.

No final, tudo acaba em merda.

É.

No final, prefiro mesmo ver TV e me inconformar sem tirar a bunda do sofá; fico nervoso só de pensar em perder a música de abertura da novela: se eu não canto junto… ô rapaz!

De verdade
Eu não sei como havia
Como tinha
Como pode…
Era ruim
Tudo aquilo
Mesmo
Mesmo.

De ter escrito
Não tinha como escrever
Como?
De ter pensado
Ter processado
Merecia é um processo
Ruim
Tudo sem nexo
Ou conexo
Sei lá
Olhando daqui pra lá
Ruim
Desnecessário.

Nem sei os porquês
De pq tô mostrando pra vocês
Contando
Fazendo vocês lerem
Horas perdidas
Preciosas na frente da TV
Perdidas
Nem devia
Uma surra
Ah, uma surra
Ostracismo.

Segredo para lembrar, só
Na hora do banho
Limpando a sujeira do umbigo
Lavando os dedos do pé
Passando fio dental
Bochechando enxaguante
Fundo nos olhos,
Pensando no almoço,
Aquele buchicho,
Murmurinho sem atenção
Mosca voando na alface
Quando não quer escutar
Nada
Quieto para ninguém saber
Nada
Só,
Sozinho.

Tempos sem ordem
Ritmo sem frases
Assentos fora do lugar
Tudo desarrumado
Ç rimando com F
Dizendo esse e S.O.S
Dodecassílabos
De onze sílabas
Onde isso?

Olha…
Olha…
Tudo…
Como eu tinha
Ou pensei
Tinha pensado
Pensei tinhoso
Explanado
Em escrever aquilo
Isso
Pensando em quê?
Pra quê?
Impressionar a crítica
Vai impressionar, vai…

Tanta coisa pra fazer
Até cruzar os braços
E não fazer nada
Seria melhor
E fui inventar
Achando
Pois…
É
É, pois
Agora foi
E eu só queria…

É,
Daí você pensa
Que agora
Depois dessa breve confissão
Tão aconfessional
Tão comensurada
Poeta sofredor
Bom fingidor
Vem com uma tirada engraçada
Ou com um verso marcante
Digno de dignidade
Pra sentir pena
Ou pra dar uma risadinha
“kkkkk”
“Esse cara sabe das coisas”
“Avantguarda!”

Mas nada,
Fecha o livro
Vai pra casa
É só
Acaba aqui, ó.

Na fila do supermercado

Oi. Oi. Tudo bem? Sim, tudo. Escuta, teu nome é Bruna Gonçalves, né? Sim, é. E você estudava no Pequeno Príncipe? Estudei sim, como você sabe? É que eu gostava de ti quando era pequeno. Ah é? E hoje?.

Ostentação

Mas tu é mesmo um playboyzinho de merda. Ah é? E como tu sabe, irmão? É que eu sou mais que tu.

A baleia cachalote,
que vivia numa caixa,
caixa chata,
chata a lot.

Só ela e ela,
pra lá e pra cá,
num oceano,
raso, chato,
de águas brancas.

Tudo chato,
chato a lot.

Uma cachalote,
caixa caixa,
cachalote,
que vivia,
ela e ela,
só,
pra cá e pra lá,
sozinha,
na sua caixa,
chata caixa,
chata a lot.

Cachalote,
encalhada,
ninguém queria ser sua amiga.

Vilã de Moby Dick,
só queria chocolate.

Cachalote,
que também é conhecida
como sperm whale,
balena dello sperma,
la ballena de esperma,
devido ao seu
espermacete,
capacete
de esperma.

Cachalote,
na chata profundidade,
de sua caixa.

Cachalote,
a maior dos cetáceos,
nem baleia é.

Cachalote,
mergulhada no fundo,
de um mar de porra.