A primeira notícia que eu tenho que eu falei um palavrão foi quando eu “xinguei” a moça que fazia faxina aqui de casa de “puta”. Eu devia ter uns 3, 4 anos e a minha mãe me deu um bitch slap na boca. Hoje, não passo um dia se desferir um palavrão que seja. Na cozinha, no banheiro, no elevador, na fila do banco. E não sou só eu. Sei que você sabe que a mania de falarmos tais termos já é uma coisa da cultura. Usamos “porra” como ponto final. “Caralho” como exclamação. E pela internet temos diversos textos como esse falando que “grande pra caralho é tipo 10.000 vezes o tamanho da coisa”. É só procurar por ai.

Tem uma coluna do Ariel Palacios (ou se não for dele, eu não sei de quem é) que fala dos palavrões nas outras culturas. Ele diz que os italianos, apesar da sua caricatura de falarem pelo lóbulo de vossas orelhas, por exemplo, falam os mesmos só em último caso. Último mesmo. Em briga de trânsito eles só mexem as mãos, igual operadores da Bovespa, mas respeitam a mãe do outro até certo ponto. E esse ponto vai muito além do meio de todo palavriado.

Eu tive na Argentina, que aliás será em breve assunto de algum texto, e vi que eles também não falam tanto. Apesar de muitos “boludos”, “pelotudos”, “la concha de tu madre”, eles param por ai. Na verdade, não param. É que a variedade é pouca. Ou eu aprendi poucos. Nem “caralho” eles usam tanto quanto nós. Continuando pela América do Sul, os peruanos e os colombianos se igualam. Abrindo uma ressalva, os colombianos são mais parecidos com a gente entre todos os povos, desde comida até a quantidade de bebida que ingerem. Prosseguindo. Os americanos nem preciso falar. É só ligar a TV e começar a contar os “fucks”, “shits” e muito mais. Os chineses e esquimós devem ter uns 30 termos só pra falar “pau”. Suponho eu, claro.

E o bom é que com o passar do tempo você começa a inventar novos termos. Muitos são já existentes, como “proxeneta” e “sevandija”, que aprendi com H&R, mas outros como “lambedor de teta” ou “cu podre”, você começa a usar com os amigos e vai desenvolvendo habilidades. Aliás, dizem que você pode se considerar amigo de fé e irmão camarada de uma pessoa quando você a trata carinhosamente por palavrões. Se um amigo chega falando pra você “puta vadia” e você responde “quenga escrota”, sinta-se bem. Você está em casa. Se sua amiga chama você de “vaca velha” e você sorri, abra o champagne! O caso pode até se aplicar com seus familiares. Tio, tia, primo, avó.

Os termos chulos estão nas músicas, nos filmes, nas propagandas, na tv, nos jogos de futebol (que é nos estádios onde os pais levam seus filhos e filhas pra desenvolverem a arte do xingamento.). Parece que existe uma comissão que paga para emissoras e estúdios colocarem eles em seus roteiros ou programas, que nem armas, cigarros, sexo e bebida. Se bobia até o Roberto Carlos já largo um “bota a mão pra cima, seus porra loca!” em algum show. Nessa de “porra loca”, um cineasta ai teve a coragem de fazer um filme pra criança chamado “Os Porraloquinhas”. De boa, quando eu tava no cinema vendo os trailers eu não acreditei. Falam tanto em “malcriado”, “vo lava tua boca com sabão”, “não vai ganha presente de natal” que o cidadão chega e faz um filme com esse nome. É.

E por essas, seus caras de sebo. Sejam felizes e xinguem. Xingue os vizinhos, os porteiros, os cobradores de ônibus, seu marido, sua amante. Observe a vida de quem não xinga e olhem como são um tanto sem graça. Polidos, requintados, de bom gosto. Até parecem propaganda de loja de móveis. Parecem suecos, nórdicos. Taxa de suicídio maior que a favela da Rocinha. Tirem como exemplo a Dercy. Viveu até os 98 anos (ou mais) falando o que queria. Ou vocês acham que ela foi tão longe comendo verdura. tomando chá verde e fazendo 30 minutos de Tai Chi todos os dias? Com todo respeito, nas palavras da mesma, “O caralho, seus filhos da puta!”.

Fim de ano. Uou. Planos, planejamentos, coisas em mente, muitas coisas. Eu queria escrever mais aqui, pras 15 pessoas que me leem (ou não). Sinto que vocês devem sentir falta das minhas parcas palavras que tentam ser boas. Meio que me imponho uma pressão pessoal para escrever. Fico pensando em temas e assuntos. Inclusive, quem quiser um texto sobre algum tema, deixe um comentário sugerindo-o. Mas bem, é. Ano novo daqui alguns dias. Uou. Feliz Natal e próspero ano novo. São os votos do Jogador Caro. Jogador. E caro ©.

Agora vou pegar ele. Finalmente. Depois de tanto tempo, de tanta andança, balas, tiros, brigas, socos, finalmente. Eu vou pegá-lo. Tudo começou quando eramos parceiros, quando queriamos assaltar aquele banco, pegar o dinheiro e sair de férias. Mas, como nem tudo é perfeito, um de nós três resolveu dar uma de espertinho e acabar com tudo. O resto é uma história que vem se alongando até agora. Se juntamos, planejamos, estudamos, executamos. Mas isso não importa agora, o que importa é que tudo vai acabar. Passei por 7 estados. Um número incontável de cidades. Tudo por causa do dinheiro. Maldito dinheiro. Cobiça? Ganancia? Nao. Apenas quero o que é meu. O que é de outros também, mas meu por direito mais estabelecido. Pode ser uma hipocrisia, mas esse dinheiro é sujo. Penso em pegar uma parte para mim e o resto queimar. Ou distribuir entre os leprosos da cidade. Ele só quer o dinheiro todo para ele. Aquele imundo. O outro eu matei. Na verdade, o destino o matou. Caiu no trilho do trem e acabou sem cabeça. Aquele filho da mae. Nessa batalha ele nao foi a unica baixa. Muitos quando souberam do que fizemos, sairam atrás também das notas de 5, 10, 25 e 40. Em Magnolia, naquele salao, nem os que nao tinham a ver com a história se deram mal. Ninguém mandou eles se meterem. Deveriam ficar no seu carteado que era mais seguro. Gananciosos de merda. E eu tive a oportunidade de pegar ele na banheira. Mas a moça fez que o tiro certeiro desviasse. Ainda bem que pegou na banheira e ela teve que enxugar aquela montoeira de água depois. Maldita. Em Rockfeller ele me acertou na perna. De raspao, na verdade. E fugiu naquele pangaré. Eu atirei uma montoeira de balas, alguma deve ter pego no cavalo. Nao fui eu o unico prejudicado. E ele gostava tanto daquela bosta de cavalo. Há! Estou chegando e ele nem percebeu. Isso que estas botas fazem um barulho tremendo. Maldito! Depois de tanto tempo! Maldito!

– Não mova uma maldita palha desse corpo fétido, seu desgraçado.

Uma tarde.

Ae cara, como ce tá? Tudo bem, e contigo? Ah, de leve. Que bom. E como foi o vestibular? De boa, mas na real nem quero saber o resultado. Só na hora mesmo. Não gosto de precipitaçoes como essa. É, eu também sou assim. Quer gelada? Nao, depois eu tomo. Tem certeza, essa é a ultima. Tenho. Mas entao, que tem feito? Cara, na real nem sei. Acho que nada. Pode cre, eu também to por essas de fazer nada. Cansei da vida. Ou pode ser o fim de ano. É, eu também penso assim. O fim de ano é tipo o momento preguiça do ano. Ninguem faz nada, todo mundo de férias, de boa. Ninguém quer pensar em trabalho, mas faz vários planos. É. O foda é que tipo, deveria ser pensar e executar, nao parar, mas é foda também que dá uma preguiça fudida só de ver o pessoal nao fazendo nada. To ligado. Tem seda? Tenho, perai que tá no celular. Cara, tá bonito pra caralho esses camaroes. Esse aqui tá meio verde, vai dar uma resinada legal. Sim, mas os outros tao o bicho. E esse toco aqui é aquele lá ainda? Rendeu hein. Ah, se eu nao tivesse fumado feito um retardado ainda taria bem maior, mas sabe como que é né. To ligado. E pior que muitas vezes eu sou induzido, mas eu gosto dessa induçao (risos). Aham. E o relacionamento, como tá? Uma piracera. Eu gosto dela pra caralho. Na hora do sexo é tipo, ela parece um sorvete derretendo escandalosamente por cima de mim e eu gosto do sabor. Pode cre, é bom pra caralho isso. O foda é que nem sempre a entrega é completa. Já peguei umas minas que tipo, o cara fica na expectativa, de “ah, to com um tesao fudido” e a mina nao se entrega como ele gostaria. To ligado. O cara tipo, bota uma imaginaçao gigante no processo e a mina nao entra no mundo encantado. Fica como uma pedra. É. É foda, relacionamentos é foda. O bom que a minha é tipo, ela fica viajando, sabe que tá viajando nos assuntos, mas entende que nao tem nada acontecendo. Que bom. O bom que a gente conversa bastante também. Ela foi criado com menino. A cabeça é diferente. Aham. Ela nao é fresca nem nada.

Entao, acende ai. Que revistas sao essas? Ah, ela foi num campeonato de criquete ai e arranjou. Pode cre, eu pensei que eram as minhas. Nao nao. Legal a montagem. Legal a revista. Po, fumo bom. To guardando pro reveillon e pro meu anivesário. Pode cre, um perto do outro. Daqui a pouco um camaradinha tá chegando ai. Liga pra ele. (ligação). Ah cara, ele tá perdido ai. Isso que ele mora há uns 5 minutos daqui. (risos). Ele vai bota um pra gente, entao a gente fuma esse até a metade e deixa a metade pra ele. De boa. Uma coisa que a gente deveria fazer é financiar apenas 50% do trafico. Tipo, fuma metade do que a gente planta com metade do que a gente compra. É politica interessante. Casa legal essa. 800 reais tudo e eles dividem em dois. Po, que massa. Legal a arquitetura e tudo mais. Chega no quarto. Quarto legal. E dá pra fazer várias coisas também. Dá pra fazer uma janta quem sabe. E esses cachorros ai. Tao ai. Até teu cachorro é mais corajoso. Isso que é da metade do tamanho. É. Chega mais cachorro. Ele nao vem. Desse tamanho e cagao. A minha vó tinha um. Minha vizinha também. (ligando) É meu amigo. Entao. Ta. Demoro. Chega mais. Ele ainda foi levar a vó pra compra sofá. Caralho. Isso que mora 5 minutos daqui. Relaxa. Esquema é que sempre sai alguma filosofia das nossas conversas. É a erva que transforma a mente. Com certeza. Ela nao goste que eu fume. Ela nao gosta de fumar. Acontece. Maneiro esse som. Bad Brains. Baixo. Eles sao rasta. Tocam pra caralho. E o ano novo? Vou pra alguma praia. Legal. Acho que também vou. Todo mundo vai pra praia. Champagne. Cerveja. Sete ondas. Ano novo. E eu me lembro do outro ano. Natal cara. Natal antigos. Me lembro dos presentes que eu ganhei. Vários. Natal capitalismo. Poisé. Voce trabalha o ano inteiro para gastar no Natal. Décimo Terceiro e tudo mais. O comércio tem que se movimentar. Se nao agora nao sei quando. Dinheiro cara. Dinheiro só existe porque tem alguém imprimindo e mandando mais. Dinheiro deveria ser recorte de revista. As pessoas trocariam umas com as outras as partes que cada um mais gostou. Comério e cultura ao mesmo tempo. Aham. Que legal. Cara o que ce tá fazendo ai. Olha que legal esse bonequinhos. Saca a pose. (risos)

Não sabia sobre o que iria escrever. Pensou em escrever sobre a mudança de década que iria acontecer dali a poucos dias, dos anos 00 para 10. Ou algo próximo disso, não sabia direito. Sobre o que havia passado e visto durante esse tempo todo. 10 anos são 10 anos assim como jogo é jogo e treino é treino. Clichés. Desde a cena musical até as ruas da sua cidade, transformações aconteciam a cada tic e a cada tac do relógio. Não. Não era o que ele queria. Poderia escrever sobre as ideias que vinha tendo ultimamente, de textos, mas também não. Ia deixar para mais tarde, quando tivesse algo mais formulado.

Buscava algum tema, alguma coisa, pois aquela ânsia de expor, de teclar, digitar letras até formar palavras já o perseguia há dois dias (dois dias!) e para ele aquilo era uma eternidade. “Preciso escrever. Vamos! Vamos!” era o que ele desejava. Queria que seu futuro fosse aquele, das letras. Já havia tentado uma vez e não conseguido. Não porque era incapaz, que não tinha boas ideias, mas é que seu responsável na agência de publicidade (tentou ser redator) não era tão hm… Não sabia como definir. Tinha feito duas, três boas peças, mas na hora de alçar voo, o puxaram pelas pernas e fizeram-no voltar ao hangar. No final o demitiam, pois achavam que a publicidade tinha que ser mais Photoshop, menos caneta e papel. Tentou mudar para outro ramo e foi infeliz. No começo achou que ele nasceu para aquilo e aquilo nasceu para ele. Era de família. Mais claro que isso só lâmpada de 100W. Mas com o passar do tempo viu que era muito corre-corre, barulho, agitação, stress. Não era dele aquilo. Não fazia parte. Não era isso que ele queria para sua vida, para o restante dela. Poderia até se dedicar ao ramo, mas teria que ser como crítico. Gastronômico.

As palavras sempre estiveram na sua frente. E como tudo que está debaixo do nariz é complicado de ver, ele demorou. 24 anos. Seu pai era leitor fanático. Deixou de herança uma montoeira de livros, que iam desde Capitães de Areia até sonetos de Bocage e uma máquina de escrever, verde, Olivetti. Sua mãe tinha o hábito de ler antes de dormir. Hoje preferia ver TV. Os livros do pai ele lia periodicamente. Se não aqueles, os da biblioteca pública. Se não os da biblioteca pública, as revistas, gibis, jornais, blogs, sites, enfim, onde houvesse letra, nem que fosse panfleto de “massagem”, ele lia. Lembrou-se de um conto do Veríssimo em que ele falava sobre sua mania de ler. Meia noite, ele liga para a portaria do hotel onde estava hospedado, desesperado para ler alguma coisa. “Mas doutor, eu só tenho aqui uma bula de remédio” “Manda subir!”.

Viu que estava escrevendo sobre o que procurava. Ele quer viver daquilo, quer que olhem para ele e digam: “Filho, ou você escreve ou não faz nada. E fazer nada, no seu caso, não é o aconselhado”. Sabia que tinha potencial para a escrita. Para o A, para o G, para o M. Amigos grafitavam, outros trabalhavam com advocacia, administração, primos com empadas, tios com carros. Ele quer as palavras. Que para ele é mágico olhar para qualquer lugar onde estivesse escrito algo e de primeira decifrar o enigma da esfinge. Podia ser também da área do ensino, ensinar para os outros o que para ele é tão valioso. Imaginava como seria legal viver como José Costa, personagem de “Budapeste”. Escrevendo sem que ninguém soubesse quem era ele.

Falaram para ele: “Escreva. Sobre qualquer coisa.” Ele escrevia. E continuava. Para ele qualquer tema, qualquer assunto, estava ótimo. Escrever. Era só o que ele queria. Para quem fosse, qualquer um. Entrar numa livraria, numa biblioteca, num sebo e ter seu nome em alguma capa. E as pessoas falando: “Essa cara sabe o que faz. Que bom que ele encontrou o que realmente ama fazer.” ou então “Nossa, como alguém pode pensar assim. Que demais!”. Queria se tornar obra para vestibular, queria que discutisse sobre seus temas em seminários, cafés, programas de TV. Iam falar “Calma, não é bem assim, você tá sendo precipitado demais”. Mas se ele não pensasse assim, não almejasse aquilo, ia viver a vida sem sonhos, sem desejos. Ia deixar escapar sua verdadeira função para virar o que? Tentar mais uma coisa que sabia que não era sua praia? Definitivamente não podia mais perder tempo.

Transformações acontecem a cada tic e a cada tac do relógio. Tic. Tac. Tic. Tac.

Ela chorou.
Sei que agora de nada vai adiantar
Nao vai adiantar
As marcas que as lagrimas deixam
Nem o tempo desfaz os rastros

As desculpas já se tornaram nulas
Minha palavra se tornou dinheiro falso
Por mais que eu diga, por mais que eu deseje
Queira, demonstre, fale, prove, jure
Nao vai mudar, nao vai desaparecer

Um coraçao pesado é o que lhe digo
O peso de mil elefantes? 10 atmosferas?
Nao.
O peso de um coraçao que se sente vazio.
Sem ter com o que se preencher.
Vácuo.

Mais um poeminha
Mais palavras
Pra que?
Uma vez é humano, duas vezes é estupidez
Mais uma frase cliche.
Estúpido por deixa-la assim. Estúpido

Tudo o que eu nao queria
Era faze-la chorar.
O mais dificil das coisas simples
Nao consegui.
Faze-la sorrir ao precisar de mim.
Ela chorou.