Sabe, as vezes aqui é meio quente. Vem o calor do motor e isso faz valer quando é inverno, que fica quentinho. Mas no verão, fode tudo. Com o perdão da palavra. É um modelo velho e ninguém abre o porta luva e a janela ao mesmo tempo. Imagina, ainda mais pra me refrescar. Até deve ter, mas só maluco. E não foi o meu caso. Pois bem. Comecei nesse negócio faz um tempo, uns 20 anos, por ai. Recém saido da universidade, aceitando qualquer dinheiro, qualquer emprego e vim nesse. Falei diretamente com o dono mesmo depois de ter visto o anuncio no jornal de Domingo. Na Segunda já tava lá e ele me esperando, parecia destino. De bigode, camisa pólo, relógio prateado no braço. Corrente com cruz no pescoço. Viu e gostou de mim. Era jovem. No segundo dia já tinha cama, armário e um banheiro nos fundos.

Eu fui um dos primeiros da turma, aluno aplicado. Fiquei bem colocado nos Cálculos e em uma porrada de matéria. Era fórmula, teoria, número. Foda que eu nunca gostei muito de matemática quando era pequeno, nem sei porque entrei nessa, sinceramente. Mas depois eu fui gostando, vi que levava jeito. Tinha e tenho raciocino rápido. Nessa profissão tem que ter, não tem jeito, porque um errinho qualquer e você vira um Nick Leeson da vida. Filho da putinha quase que me infarta. Aliás, não só ele. Teve vários ai. Só ver nos últimos 10, 15 anos: Rússia, Toquio, Bovespa, Dow Jones. Haja stress, haja baguinha. É muito peixe grande, não é nem tubarão, é baleia azul mesmo. Empresas, Rockfellers, o tal dos Ilumminati, pessoal pilhado por cifrão. Baba por qualquer pedaço de papel com uma cara estampada e um número no canto. E falando nisso, tanto número pode não ter nem razão de ser, de existir, mas querendo ou não, são eles que fazem seu salário aumentar, que fazem o quilo do arroz valer 2,39. E as siglas então? Nem vou falar nisso pra não deixar nego pirado.

Tem um monte de história que eu sei. Gente que cheira, que pira, que perde tudo de um dia pro outro. Já teve reportagem disso, já li, já vi. Diz a lenda que como eu tem mais uns 2. Um pros Estados Unidos e outro pra Russia. Pode parecer que eu sou isolado de tudo, mas sei de muita coisa, da vida de muita gente. Especulador, operador, economista, gente que aparece no jornal que você vê no fim de noite e acha que eu sou um merda, que eu não mereço atenção nenhuma, mas que no fim eu posso foder com a vida dele tanto quando uma puta no fim de noite, com o perdão da palavra. Não me dá importância nenhuma e no final do dia tá chorando porque perdeu milhões. Nem manda um whiskynho no Natal, uma canetinha no aniversário. Dai tem que se foder mesmo. Ainda mais que eu mexo com o sistema do lado de lá, que tão crescendo. Que até já cresceram, mas que continuam sendo importantes. Vem muita coisa da Coréia, China. Japão. Tecnologia. Amarelo e de olho puxado é foda. Manjam pra caralho, dá até uma inveja. Desde pequeno sendo programados, que nem computador.

E peço, caridosamente: Pensem menos em dinheiro. Não se tornem mais um Gordon Geeko. Vão trepar, tomar um porre, andar de bicicleta, dar banho no cachorro, trocar o chuveiro. Ver uma borboleta no meio do mato é a coisa mais bonita que tem. Ficar parecendo reporter da Bloomberg é a coisa mais feia do mundo. Vão comer uma azeitona e ficam pensando quanto a Exxon Mobil, quanto a Aracruz cresceu no dia. Tá maluco. E um beijo pra Marilúcia, minha cheirosa.

Meus super-heróis.

Por Fausto Wolff.

O homem era alto, magro, cabeça enorme. Pobre, órfão de pai e mãe, criado por um tutor militarista, passou a tomar grandes porres, o que não o impedia de escrever. Escreveu, entre outras obras-primas, o primeiro romance de detetive. Ignorado no seu país, foi traduzido por Baudelaire. Aos 24 anos, casou-se com sua prima de 14, a única mulher que amou. Em 1839, já havia publicado dez livros que lhe rendiam menos do que me rendem os meus. Num cubículo da Filadélfia editou o Graham’s Magazine. Ganhava US$ 800 por ano e conseguiu aumentar a tiragem da revista de cinco mil para 45 mil exemplares. Em 1842 sua mulher morreu de tuberculose. Ele desmoronou e, além de beber, passou a fumar ópio. Foi despedido. Ninguém lhe dava um emprego decente. Em 1849, em Baltimore, prometeu votar várias vezes em um mesmo candidato, caso lhe pagassem uma garrafa de uísque. Foi largado nu em uma sarjeta pedindo que lhe dessem um tiro nos miolos. Morreu dois dias depois, aos 38 anos. No seu túmulo, apenas o número 80. Trinta anos depois, já reconhecido como o melhor escritor nascido em solo americano, os cidadãos de Boston recolheram dinheiro para lhe dar uma sepultura digna onde inscreveram a frase “And the raven said never more”. (1)

O homem era alto, magro, cabeça enorme, mas não era feio, como se diz hoje em dia. Usava uma barba ruiva porque quando menino uma garota lhe dissera que tinha o queixo pequeno. Nasceu na Holanda em 1853 numa família religiosa de classe média. Recebeu o nome de um irmão mais velho que morrera horas depois do parto. Todo emoção e timidez, a vida lhe doía. Aos 20 anos, todos os domingos caminhava 40km só para ver de longe uma jovem que amava. Um dia, ela lhe disse da janela que era noiva. Trabalhou numa galeria, foi professor elementar, pastor, lavrador e levou seu cristianismo ao extremo, trabalhando de sol a sol e dormindo no chão. Embora só começasse a pintar em 1881, fez 900 telas e 1.100 desenhos sem que tenha conseguido vender um em vida. Tinha crises de loucura e numa delas, em Arles, atacou Gauguin com uma navalha. Depois cortou o lóbulo da própria orelha e deu-o a uma prostituta. Foi internado na Clínica do dr. Gachet, mais louco do que ele. A polícia fechou seu ateliê a pedido de vizinhos, que o chamavam de Ruivo Maluco. Deprimido, uma noite saiu de uma estalagem e caminhou até o campo. Olhando para o céu, deu um tiro na cabeça e voltou para o bar. Bebeu até cair e foi levado para casa, onde morreu dois dias depois, em 1890, aos 37 anos. O retrato que fez do dr. Gachet, uma obra menor, foi vendido há alguns anos por US$ 84 milhões. (2)

O homem era baixo, magro, doente, mulato claro. Certa vez o gerente de uma livraria no Centro do Rio pediu firme, mas delicadamente, que se retirasse, pois seu cheiro de cachaça perturbava os clientes. Nascera no Rio em 1881, filho de um português e uma escrava. Abandonou o curso de engenharia aos 20 anos para assumir o sustento e a chefia da família, pois seu pai enlouquecera. Arranjou emprego de amanuense no Ministério da Guerra e, embora o salário lhe desse uma certa estabilidade, passou a beber dizendo-se vítima do preconceito racial, o que era verdade. É que, devido à sua educação e cultura, vivia entre brancos. Estreou em 1910 e fez um certo sucesso, mas não pessoal. Com o álcool vieram as crises de depressão que não o impediam de escrever cada vez mais e melhor. Era odiado pelos esnobes por ser anarquista e pelos militares porque, quando membro do júri, acusou um deles da morte de um estudante. Expulso da livraria, voltou para casa o grande escritor brasileiro. Lá morreu de enfarte em 1922, aos 41 anos. (3)

O homem era alto, magro, barbudo, em verdade um senhor de idade com extrema resistência ao álcool. Passou de 1914 a 1917 perambulando pelas repartições públicas de Paris, pedindo ao governo uma quantia que julgava lhe ser devida para poder se manter. Havia sido o artista mais prestigiado, premiado e querido da França e uma unanimidade mundial. No verão de 1917, aos 77 anos, pediu ao governo que lhe cedesse um quartinho, o que foi recusado. Morreu de frio num parque alguns dias depois. Todas as esculturas e estátuas que doara ao governo estavam abrigadas no calor dos museus. (4)

(1) Edgar Allan Poe; (2) Vincent Van Gogh; (3) Lima Barreto; (4) Auguste Rodin.

Que teu corpo seja um continente.
Teu ventre como grandes estepes virgens
de vegetação rasteira, a explorar, livre e desimpedido.
Por todos as rotas, lados, sentidos e direções.

Que teu pescoço por completo
seja o local de onde disperte
as fragrâncias mais raras.
E o conjunto de nuca, ombros, colo e cangote
seja o jardim das flores mais belas.

Que teus braços sejam penínsulas
para que a água venha banhar.
E que suas costas sejam as mais desejáveis praias.
E que cada pintinha, marquinha, sinalzinho
seja como uma conchinha, linda de se ter.
Com areias brancas e ternas, tuas costas.

Que teus olhos sejam como lagos:
De uma profundidade nunca vista,
todavia, de uma calma jamais admirada.
Seus cabelos, que sejam como florestas.
Onde se possa correr as maos, suavemente.
Como uma criança livre a correr.

Tua boca, teus labios
Abriguem uma gruta
De onde só se propague um som
um som de tranqüilidade, de calma.
E tuas orelhas, lindas orelhinhas
sejam como recifes, como barreiras de corais.
E em teus lóbulos o lugar onde
as mais belas pérolas podem ser encontradas.

Que tuas pernas sejam como alpes, montanhas:
Lindas de se mirar ao longe.
Magnificas de ver ao perto.
Que tuas mãos e pés sirvam como
Miradouros.
De toda essa infinidadde de belezas.

E teus seios sejam como faróis.
Que nesta vastidao de maravilhas
apontem as direções corretas
para onde percorrer.

Que teu sexo, seja como um vale,
um fiorde.
Onde se esconda um segredo raro e rico.
Que apenas um uncio explorador
posso desvendar tal mistério.

Que teu bumbum seja como
grandes e perfeitas dunas.
Que se canse ao escala-las,
mas que de cima tenha uma
visao impar e privilegiada.

E teu umbigo, como um algar, um poço dos desejos.
Infinitos desejos.

Que teu corpo seja um continente.

Aliás, digo mais para você, razão destas palavras:
Que teu corpo seja como a terra.
Onde sempre sonhei viver e habitar
para que todos os meus dias
sejam da mais pura paz e felicidade.

O homem de chapéu
Sai por de trás da arvore
Eu já vi ele antes
Já abanei a cabeça
No ponto de ônibus
No centro da cidade
Parece ser mais um
Como todos eles, os outros
Mas não é
Eu sei que não é
Seus pés cansados e calejados
Seu sorriso exibe a falta
De um dente, de vários
Foi escangalhado
Me pediu uma moeda
E eu não dei
Devia lhe ter dado atenção
Se tivesse conquistado Roma
E eu não soubesse
Perdia uma história
Poderia ter entrado no lugar
dele, ou não, será?
Ter conquistado um lugar
Nos anais da memória, bosta
Mas acho que vou vê-lo
Novamente
Não parece ser um
Solitário carente
Carrega abrigo, sacola nas costas
Eu sei que vou vê-lo novamente
Vou lhe pagar dentista
Fazer barba e cabelo
Vai virar nome de poema, poesia
Vou fazer sua biografia
De quando ele quebrou a bolsa
Até quando decepou a cabeça
Dos malditos nazistas
Parece ser um andarilho
É um herói
Projetou bicicleta ergométricas
Fez pontes quilométricas
Mas você não sabe
É um milionário
Mas sua riqueza é tão grande
Que num cofre não cabe.

Achei importante a resposta que um cidadão deu em um comentário, por um desses sites da vida, que apresentava uma matéria sobre o crescimento de 7% – ou um número aproximado – do PIB brasileiro, batendo recordes e o escambau. Ele dizia que logo vamos virar os EUA de hoje, falidos por um abuso de credito popular, onde o Estado ou algum órgão comparativo/corporativo faliu e assim desencadeou a crise econômica que, se você não esteve em coma nos últimos 2 anos, sabe no que se sucedeu. Fico a pensar se o governo brasileiro sabe disso, sabe como contornar disso, sabe como se comportar diante de uma situação que pode ser real num futuro próximo. Ou então não dá a mínima bola pra isso, acha que vai ser o bambambam com os novos emergentes e que se foda o futuro. Bem a carinha da era Médici. Bom, não preciso falar muito, sabe como somos. O Stanislaw já vinha dizendo (uma das minhas preferidas, aliás).

E sobre os carros elétricos. Li um texto muito bom na Super Interessante que tinha como destaque de capa um bulldog francês (o cachorro cool). Um professor falou dos perigos que se escondem por trás dos carros elétricos, que prometem e são apontados c0mo a salvação para nosso futuro, que não vão poluir, limpeza pura, etc, e que em breve vai virar mais um sistema dentre os carros flex e maravilha pura. Ele aponta os principais erros disso e algumas soluções para os carros tradicionais, muito corretas. Porém o que pega mesmo é o uso da eletricidade. Sabe, se já pedem para nós, cidadãos comuns fazedores de Impostos de Renda, que fazemos xixi no banho para reduzir nosso consumo, como vamos fazer com a porrada de veiculos igual a da frota norte-americana? Haja hidrelétrica, moinho de vento, termoelétrica, usina nuclear, enfim, haja energia. como será feito para termos mais no futuro, se já não encontra-se escassa e reduzida nos tempos atuais?. Enfim, leia o texto e veja o que falo.

E é isso sobre isto.

Hoje o pessoal só quer saber de posts rápidos, com poucas palavras e quase nada escrito. Ou é na base da foto ou do vídeo, estilo tumblr. É foda. Parece que a preguiça de ler o que está escrito o/a domina como quando você era pequeno e tinha preguiça de fazer o dever de casa porque tinha que escrever coisa pra caralho. Falando nesse negócio de escrever, ultimamente eu percebi que ando com certa dificuldade para escrever tanto assim, digitando, quanto manualmente. Parece que algo trava. Já falei disso antes e não vou repetir assunto então. Esse texto, diga-se de passagem, vai ser daquele jeito. Qual jeito? Aquele jeito que o que vem na cabeça, o que a cabeça, supremo ser extracontinental, diz pra voce escrever e voce vai simplesmente ó, escrevendo. Me veio agora a imagem da tatuagem que eu quero fazer, no braço ou na perna, do olho-mão (ou mão-olho, pois, no final, voce… decide) que quero fazer, no braço ou na perna. Pois bem.

Então, mudei o cabeçalho e voltei ao tumblr. O tumblr meio que é pra coisas alegres e esse blog aqui pra textos não alegres, mas não tão sombrios também. Espero que com esse texto aquela fase meio que passe, que sobre alguma coisa, pois é bom sentir o gosto de sangue na boca de vez enquanto, mas que eu comece a escrever sobre coisas alegres também, porque sabe, querendo ou não, eu sou alegre, ou tento ser, ou alguma coisa, entende?. (MSN piscando). E esse carnaval ai, cheio de encanto e magia. Carnaval. Brasileiro é um povo cansado. Cansado. A giria dos gimnospermas. És o mais cansado, o treino foi cansado, aquele filme é cansado. Pior que pega. Maldito 16 anos. É. Me perdi. Uma coisa que eu tento fazer quando escrevo é fazer os parágrafos quase simetricamente perfeitos. Tipo, no “É. Me perdi.” ali de cima ele parecia menor que o de cima, então eu escrevi esse partezinha só pra fazer ele ficar um tanto mais equiparável e equivalente ao de cima. Já deve ter dado. Obrigado por sua atenção.

Cara, é muito bom dormir sem cueca. Dormir tipo, com uma samba canção ou com o pijama e tals, mas sem a parte de baixo te deixa com uma liberdade que raramente há no dia-a-dia, que nem Sempre Livre ou Always (pelo que diz a propaganda, não sou mulher e nem uso) lhe podem dar. E o Charlie Sheen hein. Aquele programa deve tá mais doido que o Silvio Santos tomando Cuba Libre antes de entra no ar. Imagina como não deve tá a relação do pessoal na filmagem. Mais doce que pirulito da Chupa Chups. Essas propagandas subliminares, só eu e o Clube da Luta. Ou filmes da Disney. Só nesses termos eu vou receber uns 5 views a mais, dai o povo entra, vê que não tem nada a ver com que tão procurando, falam um “quanta merda, hein”, saem e nunca mais voltam, que nem o pai do Nelson do Simpsons que foi comprar cigarros e não voltou (Na real, ele comeu amendoim e foi parar no circo. Ele é alérgico. E o resto você confere aqui).

Pois bem, então é Carnaval, numa analogia com a música da Simone. Sabiam que ela jogou basquete? Deve ser nessa época que ela ficou com sindrome de bolas (ha-ha-ha). Glamour. Chiquinho Scarpa deve ter isso tatuado no pulso. Dai ele tira foto e bota no Twitpic ou no Feice. Feicebúque, the newest Orkut. Orkut tá parecendo tipo, aqueles pico que já foram muito foda, muito famoso e hoje o pessoal só entra pra compra seda ou cigarro e tipo, sai e nem pega o troco. E o Facebook tá tipo, “uau, o novo clube do momento, temos que ir para sairmos na coluna social, uou.” Facebook vai se tornar o Google da vida eterna se implementar sistema de busca. Já tem bate-papo, um twitter de mais de 140 letras, álbum de fotos, potfarm, precisa mais de que? Uma bombona d´água pro povo tomar enquanto pensa na próxima coisa de postar. Ou só pra fazer um tempinho saindo da mesa de trabalho. Fazer um aplicativo pro Face e pro Ipad/Iphone: Bombona d´água. Perca mais tempo aqui do que você perde nos outros aplicativos dizendo o que acha da roupa dos amigos. É. Jogador. E caro.

cleber machado e sua cara de forma de waffle redonda pra trendtopic.