Não se pode esperar
Não se pode
Sequer pensar
(cogitar então)
em esperar.
Não se pode.

Nem 5, 4, muito menos
Um segundo
Um segundo, imagina!
O cumulo do absurdo
Onde já se viu
Dirão os apressados
Os afoitos
Tempo é dinheiro
Alta produtividade
Anos-Luz
Velocidade!
Nem agora,
Muito antes nunca
Já!
A espera é inimiga do bom
Trabalho.

Não para, não para, não para!
Gritos virão, vaias se ouvirão
Prisão decretada
Se em 30 milemicrésimos de segundo
Seu passo atrasar
E lembre-se
O ritmo cardíaco não adequado
Terá implantado
O apressador de tempo.
Novos dias, o dobro
De energia
Será o lema.

Vai quebrar, vai fechar
Tudo, todos, o mundo
Sem descanso
Sem intervalo
Sem calma
O pulso vibrante,
A máquina pulsante
Calmantes são coisas do passado
Viva a correria do dia-a-dia!
“Correndo desesperados
atropelando a canção
somos todos afobados
apressados ou não…”

O amarelo tornou-se siga
O verde virou atropele
O vermelho,
Devido a lei 15,
Parágrafo nono,
Não existe mais.
É a pressa que nos
Interessa.

A minha vontade
É de falar palavras
De amor
Com tal bonita
Sinceridade
Para embelezar
As linhas do caderno
Ou o romance
Dos casais da cidade

Contudo sinto
(e me digam se minto)
O mundo ao redor
Tão sujo, tão cruel
Num alto grau de horror
Incomparável terror

Das calçadas aos jornais
Dos shoppings aos bordéis
Preferem tiros à flores
O gosto amargo de destruir
Ao gosto infantil dos doces

Vejo, volto e revejo
Que mesmo as coisas
Mais simples
Mas de infinito valor
Da borboleta repleta
De cor
Passando pelas
Meninas faceiras
E suas pernas ligeiras
Não me deixam
Confortáveis, à vontade
Na medida adequada
De escrever o que
Gostaria de verdade

Eu tenho a paixão
Eu tenho o carinho
Eu tenho o bem
Os sentimentos
Todos assim
Todos em mim
Para mim

Sou um homem tranqüilo
Um tanto esquisito
Mas…
Mas nas palavras
Não sei
Não acho
Não se fazem
Presentes
Me parece
Que a tragédia
Um tanto mais
Sincera

Sentimentos internos
Dignos, verdadeiros
A influência pesada faz
Ficarem adormecidos
Permanecem dormentes
Um tanto ausentes
Uma pena

É triste
Queria não usar
A caneta e o papel
Para desabafar
Feiuras impuras
Palavras putas
Injúrias

O mundo precisa
De mais, demais
Palavras de ardor
Precisa de palavras
Autenticas, precisas
Tocando corações
De uma maneira correta

Queria fazer uma história
Em que o cidadão termine bem
Sem um enfisema no pulmão
Ou um escândalo de corrupção

Não sei se a culpa
É minha
Ou dos homens
Lá de fora
Que preferem
Rios de tragédias
Pensando que serão
Futuras epopéias
A serem contadas
Com orgulho
Orgulho tolo
Só se for

É angustiante
O sorriso não se faz
O carinho não se faz
A paz
Nas palavras
Não se faz
Tormento

É mau, é surreal
Quantos só querem o
Boom das bombas
Inconformado fico
É triste saber
Isso me deixa
Impossibilitado declamar
O amor que na vida
Vivo a receber.

Sei que não
Deveria lamentar
Que as palavras
Não deveriam
Ter este fim
Contudo
Não sabem o quanto
É triste
O amante chega com flores
O cantor com seus clamores
A mulher emanando amores
E este quase poeta
Vive a escrever seus temores
É triste.

.

Eu fico pensando se o Luis Fernando Verissimo, aquele gordinho tímido, careca, torcedor do Internacional e saxofonista, se esse mesmo filho do Érico que escreveu sobre a Ana Terra e blábláblá, tem mesmo capacidade de ter tanto assunto pra falar. De boa, pode parecer maluquice, mas veja bem: Ele deve escrever pruns 10 jornais diferentes ou uma porrada de diferentes lugares/meios. Será que ele tem capacidade de ter tanta ideia, escrever tanto, sem a ajuda de alguém? Será que não existe, de verdade, nenhuma ajuda por trás dele? Ghostwritters ou coisa assim? Fico pensando como alguém pode ter uma fonte de ideias como ele, de originalidade, principalmente, que parece ser inesgotável. Tá certo que é o trabalho dele, que ele tem que tá constantemente escrevendo e tudo mais, senão no fim do mês não tem Arara vermelha pra comprar palheta pro bocal do sax, mas é muito livro, muito texto, crônica e o escambau prum gordinho que parece o tio do Up! sem cabelo. Penso se ele não pega textos variados e diversos e muda suas formas, emenda um ao outro. Ele deve ter um caderninho pra anotar as ideias, claro, mas deve ser complicado ter tanta ideia. Ou ele tem algum método super-heróico ou o cara não para de pensar ou é bitolado da cabeça e ninguém sabe. É como dizem que foi Homero na Odisséia/Ilíada, que pode ter sido um grupo que escreveu e não um só, que era muita coisa só pros dedos de uma pessoa apenas. Deve ter outras histórias assim e que não sei ou não me lembro. O LFV foi um exemplo que me veio pela quantidade de material. Buenas. Divagações de uma viagem qualquer.

Ela vem
Pela minha frente, por trás
Brinca comigo
Me dá um sorriso
E abre o meu
Me dá a mão
Me faz feliz
Os olhos
Seus olhos
Claros como o mar
Me faço feliz
Quando vem e com
Gosto me abraça
Me leva até o céu
Me leva acima do avião
Que pela sua casa todo dia
Passa
Me deixa com graça
Que tão devagarinho
Não acaba.

É tão gostoso
Quando vem e me abraça
Abra os braços, abraços.
Abra os braços com graça, meu amor
E vem
Abraça.