Por todos os cantos estão eles, elas. Sabem o que tu comes, que tu usas, o que esquecestes. O ibope popular, uma agencia de publicidade ambulante. Poderiam trabalhar assim, receber dinheiro fácil, pesquisando e analisando você, como o Discovery faz com os elefantes e os gnus. São quase que uma sombra. Uma sombra do mundo, constante. Um falso eclipse? São como uma samambaia que esta ali e tu não reparas pelo simples fato de ser uma samambaia. Quietinha. Na verdade poderiam ser uma cachopa de vespas que tu continuarias não percebendo tamanha tua desatenção. Andam de lá pra cá, daqui pra onde forem chamados e tu nem percebes ou se percebes é porque eles estão pedindo licença, educadamente. E tu, educadamente, cede espaço pra eles que possuam um espaço infinito, do qual não são donos e nem chegam perto de ser, nem um pouco, entretanto conhecem cada canto, cada centímetro cúbico. Poderiam derrubar o mundo, causar pânico e catástrofe, o escândalo do fim dos tempos, tamanha sua discrição pessoal e considerável mínima importância frente aos olhos alheios. Tenha medo. Ninjas? Seu acesso é permitido ao que somente os mais poderosos têm e que tu ficas imaginando, em teus sonhos que cruzam a noite e atravessam a madrugada, ter. Chaves, cartões, identificações. Jóias, ouro, proteses penianas. Sabem mais que fofoqueiras da TV. Eles vão e vão e só param quando dá o tempo, quando os ponteiros batem. O momento de ir embora. Todavia pode-se ter certeza que mais virão, muitos mais. Um exército paralelo aos tantos que já existem. Apesar de serem Joãos, Marias, Carlas e Josés, poucos os conhecem assim. Sua saga não acabará assim tão cedo, sendo que são necessários, cada vez mais, para nossa sociedade desorganizada e atrapalhada. A noite, no seu silencio sutil, transforma-se num parque de diversões. Ou de martírios. Poderiam bater no peito e proclamar: Não sou eu invisível ao mundo, o mundo que se faz invisível a mim. Invisibilidade. O que comum mortal não conseguiu, eles conseguem no momento que vestem seus uniformes, botam seus crachás e com suas vassouras, panos e química limpam nossa porca sujeira, arrumam nossa bendita bagunça.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s