Amanhã vai ser maior!

Olá caros amigos e amigas leitores e leitoras desse falido blog. Hoje meus parcos e enfumaçados neurônios amanheceram com uma ideia, contudo logo abandonada, pois eu perdi a conta de quantos botões eu apertei, apertaria e continuaria apertando ao longo desse ensolarado e bonito dia. O primeiro foi o do celular, mas dai veio o do telefone de casa, do computador, da televisão e foi indo, indo e como diria o Jardel ou o Dadá Maravilha, foi fondo e assim foi. Pois bem, essa foi só uma ideia que eu tive, assim como eu tive outra (e espero não parar por ai) e é dessa outra que se trata o seguinte texto.

Amigos e amigas leitores e leitoras, não sei se tenho autoridade para dizer isso, pois quem sou eu se não um simples ímpar que escreve e acha que arromba a tarrafinha, mas creio que nossa Ilha querida e amada por uns, odiada e aterrorizada por outros (eu faço dos dois, não nego) vive uma revolução que se espalha pelo ar, assim como outras fumaças, dos escapamentos que não escapam dos engarrafamentos diários, como dos baseados que são fumados nos quatro cantos da cidade. Estava eu pós-almoço vendo o vídeo que Os Skrotes lançaram quando me surgiu no parco pensamento a ideia de comentar o que eu tenho visto e achado legal, novidade, diferente, que, apesar do pouco incentivo que recebemos culturalmente dos nossos idolatrados governantes, vem mostrando-se inovador com qualidade.

A Hommies Crew, que provavelmente vocês já ouviram e/ou estão cansados de ouvir falar, é um nome que vale a pena ser citado. Já nem sei mais quem participou do movimento, mas foi muito legal as iniciativas, sendo de pinturas, da casa na Lagoa, dos murais, das festas e exposições e dos diversos movimentos que eles encabeçaram. Não poderia também deixar de citar a CI, com Nova, Rizo, Vejam e seus afiliados, que mais do que nunca fazem de qualquer pedacinho de concreto um lugar para deixar sua marca. Continuando, temos a dupla San e Noia, Valdi Valdi com seus barcos e moças de cabelos azuis, Azo (porque não?) e seus bonecos doidões, Tim Tchais e muitos, tantos e diferentes outros verdadeiros artistas dos muros, dos stencils, lambe-lambes chegando até as telas pinceladas com tinta óleo, xilogravura e tiras de quadrinhos. Obras magníficas, significativas, representativas e tantos outros “ativas” que embelezam as ruas dessa cidade que sofre com os papéis de moças da vida e populares dentistas. Continuem tracejando e colorindo, meninos e meninas!

Voltando a parte musical, Liu Impalea e seu Circo Quebra Copos com a iniciativa da BatMacumba (se não foi só sua, desculpe-me os outros envolvidos), os DJ que tocam e batalham eletronicamente tanto no 1007, como Jivago e Blues Velvet, casas que certamente deixarão seu nome na história noturna desterrense. @ Célula com seu Clube da Luta sonoro, seu espaço musical e um tantas outras iniciativas. Mar de Quirino, uma banda que faz um rock muito legal. Não poderia deixar de citar Cultivo e seu bom e marcante reggae. Pessoal que faz um samba, do banquinho e violão até o Mercado Público, da travessa Ratcliff que já foi e continua sendo histórica. As velhas e sempre presentes Dazaranha, Irie, Tijuqueira, John Bala Jones, Os Berbigão, Os Chefes, Immigrant, que, mesmo com uma longa estrada e muito tempo de presença, merecem ser citadas, pois certamente o público jovem conhece e respeita o seu som. Besouros da Praia com seu rock beatleatico & cia. Eltin representando o hiphop e fazendo um som bacana e responsa, abordando os lados visíveis e invisíveis de Florianópolis. Para todos, do pessoal do Ufsctock e das festas da UFSC que animam tanta gente até o pessoal que vai até a Palhoça e destrói tudo no Plataforma, passando por Underground, Red Café, Tulipas Bar, Café Matisse e outros memoráveis, parabéns por suas iniciativas sonoras. Vocês são muitos, são loucos e merecem respeito.

Teatro Sim…Por Que Não?!!!, Erro, Zuleika Zimbabue, Terça Insana, Teatro de Quinta e a cena teatral e suas performances maravilhosas, de Stand Up até Lago dos Cisnes, os meus aplausos de pé. Radio Campeche, Radio Tarrafa e outras “piratas”, continuem propagando as ondas que remelexem nossos auto falantes e nossos esqueletos. Pessoal da moda, da tatuagem, Revista Naipe, fanzines, os coletivos, fotógrafos, agitadores, que fazem o diferencial, desde o palhaço que toca pífaro pelo calçadão até aquele cara que é mais um valorizando nossa bernunça e boi-de-mamão. Artistas imensos e diversos, mil parabéns. Pessoal do Passe Livre, da Marcha da Maconha, Marcha das Vagabundas, que mexe com o social florianópolitano e tenta bagunçar um pouco a mente desse povo preso por plins-plins e põe na tela, amarelo. Dos professores estaduais, dos grupos acadêmicos da UFSC e UDESC, Unisul, Estácio e outras instituições que promovem o crescimento. Dos que sobem o morro e auxiliam a comunidade, entre becos e ruelas. Dos que querem fazer nossas gordas bundas levantarem de nossas parcas poltronas e mudar a história da cidade e de nossas vidas. E se faltou alguém, me perdoe, mas certamente se eu não vi suas obras, se não lembrei delas, outros muitos viram, lembraram e ficaram marcados com a beleza e pelo modo como foram atingidos por suas inspirações, vontades e pensamentos. Sei que parecemos poucos e fracos, mas vendo bem, somos muito mais fortes que pensamos. Não podemos parar, pois o pavio foi acesso e nem a caixa d’água do Morro da Caixa pode apagar. E quem quiser começar, demorou. Sejam bem-vindos. Uma sonora salva de palmas para todos.

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Preciso de uma massagem. Japonesa, tailandesa, espiritual, que seja. Esse negócio de carregar o mundo nas costas não está dando certo. Dar uma corridinha à beira-mar é impossível. Os ombros rígidos, a lombar dolorida, os joelhos trincados já não são os mesmos do cara de vinte que achava isso moleza. Amarelinha e corrida de tampinha, brincadeira de criança. Chamo mais atenção do que um louco no alto do sino da igreja, trazendo consigo uma melancia no pescoço. As crianças apontam, as mães beliscam seus filhos dizendo que é feio. Os bicos de papagaio já não me deixam nem carregar as frutas da feira, quanto mais as sacolas do supermercado. 6 bilhões é muita gente, isso e os problemas delas, que pesam um tanto de zeros que vocês nem imaginam. Certo que cortam muitas árvores, somem com um par de coisas, desde areia até animais raros, entretanto cada vez mais edifícios, cada vez mais coisas sem sentido. Acumuladas e acumulando.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Não há físio, muito menos hidromassagem que resolva. Já procurei especialistas e é a mesma ladainha de sempre: Isso não é nada, é uma dorzinha que em 15 dias deve passar. Sei. Raios-x, ressonâncias e ultra-sons e tudo muito bem, na visão deles. Me pergunto todo dia, a todo café que tomo alarmado pelo Big Ben: Porque diabos continuo com isso? Porque não viro frentista, vendedor de bíblias ou pipoqueiro? É tão mais comum, mais simples e relaxante. Fora tudo isso, também tem aquele velho dilema toda santa manhã, depois de acordar com os gritos e buzinas da Índia até o Caribe. Tomando um Dorflex, em frente ao espelho, me pergunto, estralando o pescoço para mais uma jornada: Se não for eu suportando e segurando sozinho esse peso todo, quem vai ser? O guindaste da construção na Av. Paulista? Os cabos daquela nova ponte chinesa? Eles não sabem o peso que têm, não fazem ideia a tonelada que valem. Uma pena. Se soubessem, não produziriam tanto lixo, não fariam tanta merda. Uma pena.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade – Os Ombros Suportam o Mundo.

Estacionou a bicicleta, desligou o mp3, se ajeitou e entrou na conveniência. Como sempre se confundiu se puxava ou empurrava, normal com todos. Se dirigiu até o freezer, sem antes passar pelas bolachas, macarrão instantâneo, chocolates e afins. Lá, ficou cara a cara com cervejas, mate, refrigerante, água com gás, vodka ice, absinto ice e a indecisão de ter que escolher entre tantas marcas, gostos e cores. Foi quando, de relance, olhou pelo vidro da loja e observou aquela figura conhecida, altura, cabelos brancos, aquele jeito, com uma enxada na mão. Uma enxada? Ele estranhou. Essa hora e tem um louco andando com uma enxada por ai. Foi quando se deu que era o seu Sérgio, pai da Aline. O que o seu Sérgio, pai da Aline, estava fazendo ali, e, Deus do céu, com uma enxada na mão? Foi quando o velho entrou na loja, com a enxada na mão. O segurança ainda tentou impedir, mas ele passou com tamanha facilidade que até impressionou. O seu Sérgio, pai da Aline, com uma enxada na mão, numa conveniência. Ele olhou para o homem, o homem olhou para ele e a enxada atingiu as bolachas, macarrão instantâneo, chocolates e afins. Sem dó. Mas que por…

Na mesma noite ele, o Fernando, tinha tido uma maravilhosa ideia. Um coração e dentro um A e um F. Aline e Fernando. No muro da casa dela, com spray preto, que ele guardava no carro para delinqüências ocasionais. Fez e saiu todo feliz, ouvindo música e com um sorriso no rosto. Agora eu conquisto ela de vez. Agora vai! E foi…

A enxada girava, destruía, desmanchava, quebrava, voava de tudo pra tudo quanto era lado. Os atendentes se escondiam atrás do balcão, o segurança tentava se aproximar e ele, inerte. Seu Sérgio, pai da Aline, com uma enxada na mão, destruindo a loja e ele, ali, embasbacado, sem saber o que fazer. Seu filho duma carcomida! urrava o velho. Pichou meu muro agora vou pichar tua bunda! E o velho caçava ele dentro da conveniência com a enxada. Pão de batata no chão, vidro voando, estraçalhando, o velho estava insano com a enxada. Parecia a morte ceifando almas. Girava a enxada como um ventilador de teto e nada o impedia. Calma, seu Sérgio! Calma! ele, apavorado, com os braços esticados num sinal de pare, apesar do medo constante do velho arrancar seus braços com o instrumento. Calma nada! Vem aqui! E ele apontava a enxada pro jovem. Calma… Foi quando ele pronunciou o A que escapuliu feito uma lebre fugindo do lobo e montou na bicicleta. O velho nem pensou duas vezes, deixou a loja na mesma ligeireza e foi atrás do jovem ciclista. Ele pedalava três pulmões. E o velho vinha atrás dele, no mesmo pique, montado num cavalo negro. Cavalo negro? Como isso? Da onde ele tirou uma porra dum cavalo negro? Caralho! E pegaram a principal avenida da cidade. Ele na bicicleta azul e o velho no cavalo negro. O velho ia atingindo tudo que estava ao seu redor, atrás, dos lados, na frente, em cima, embaixo, com a enxada. Nem pensava duas vezes. Queria o pescoço do jovem a qualquer custo. Se tivesse com uma arma, já tinha variado a mesma pra atingir o maldito. Carros, motos, capacetes, placas de 80 Km/h, por aqui praias, por lá centro. Tudo tinha a marca da enxada, o cavalo pela esquerda, a bicicleta pela direita e eles ali se degladiando. Uma bizarra corrida de vigas.

O Fernando conheceu a Aline numa festa. Ele estava comprando cerveja, ela um cachorro quente. Eles nem se conheciam, mas a cara de pau do menino foi grande e ele pediu um pedaço pr’aquela menina de cabelos curtinhos e olhos claros. E ela deu, em troca de um gole. Ele perguntou que curso ela fazia, não tinha reparado o moletom da menina, com letras garrafais, escrito Biblioteconomia. Se desculpou, fez cara de tolo e de bom moço e ela riu, perguntando se ele estava sozinho. Ficaram ali trocando salsicha e cevada, pensamentos e risadas. Ela acompanhou ele até o ponto de ônibus e quando viu o menino pediu um beijo como boa noite. Ela não titubeou. E ali começava mais um amor pela flecha do Cupido.

O jovem pedalava feito um desvairado. Feito, porque desvairado mesmo era o pai da Aline, o seu Sérgio, com a enxada na mão. Carros buzinavam, davam luz alta, refletiam no pelo negro do cavalo preto, mas nada fazia o velho parar de proferir desaforos e manobrar a enxada feito um cavaleiro e sua espada. Subiam, desciam, curvas pra direita, curvas pra esquerda, cruzamentos. Cravavam, furavam, amassavam, destruíam e derrubavam. O velho e sua enxada, o jovem e seu amor. O jovem suava, sujo, quando olhou para trás e, percebendo distancia do velho, num semáforo, se jogou numa motocicleta. Respirou aliviado e tentou recuperar o fôlego que lhe faltava. Arrancou o motociclista como se faz com uma farpa no pé e acelerou fundo aquela Honda. Nem viu o modelo, a placa, a cor. Acelerou. O velho, que vinha atrás, não deixou por menos. Com a enxada a tira colo, se enfiou num Gurgel, também estacionado na sinaleira. Um homem, baixinho, gordo, de óculos com aros redondos, escutava calmamente seu Love Parade. Foi o velho dar uma enxadada no teto que o homenzinho saiu apavorado de seu carro, pensando que aquele era o juízo final, com suas trombetas e seus cavaleiros do apocalipse. Era nada. Era apenas um velho, o seu Sérgio, pai da Aline, com uma enxada na mão e querendo justiça com as mesmas, atrás do Fernando, namorado da Aline e genro do seu Sérgio. Saiu cantando pneus, com a enxada no carona e seu Sérgio, pai da Aline, no volante.

Seu Sérgio, pai da Aline, estava prestes a se aposentar. Trabalhou num banco praticamente a vida toda e tinha uma mentalidade absurda. Fazia cursos do que podia, desde manutenção de computadores até como instalar uma cerca elétrica. Não deixava o diabo sequer botar o pé no jardim que era sua cabeça, sua casa. Veio do interior e se consolidou na capital. Sucesso total e exemplo aos que estavam ao redor. Gente boa o seu Sérgio, pai da Aline. Gostava de uma cerveja e música raiz. Tinha uma oficina em casa, de onde saiam molduras para quadros e para cama, estrados. Seu Sérgio, pai da Aline, sabia de tudo um pouco. Da vida alheia até como abater porcos.

Adentraram o túnel que ligava o centro com a casa do seu Sérgio, pai da Aline. 10 da noite. O Fernando acelerando, empurrado, esgoeleando a motocicleta. Anda, joça, anda! E o velho vindo atrás, com a enxada pra fora do carro, nem ligado se estava acertando o ar, o nada, o tudo, os carros, o chão ou o céu. Queria a cabeça do infeliz do Fernando que fez a infelicidade de pichar a casa dele, o muro, melhor dizendo, declarando o amor para a filha do seu Sérgio, a Aline. A moto berrava os 120 Km/h e o Gurgel não deixava por menos. Emparelharam. Seu Sérgio, pai da Aline, queria porque queria acertar alguma coisa do outro lado. O Fernando, a moto, o espelho da moto, a aliança no dedo do Fernando. Queria parar aquela moto e o motoqueiro a qualquer custo e aplicar um corretivo no rapaz. Onde já se viu pichar o muro da casa dos outros? Ele vai ver só! Tentou cravar a enxada no corpo da moto, o pescoço do Fernando, e quase conseguiu, assim como quase conseguiu acertar o carro da frente e desviou numa manobra de duble. O velho louco desvairado cruzando a noite da cidade em busca do inocente jovem que só queria mostrar o seu amor da forma mais singela para a donzela de mesmo feitio. A enxada e a lata de spray. Quem teria mais força?

A casa do seu Sérgio, pai da Aline, era de dois andares. Moravam o seu Sérgio, a Aline, a mãe da Aline, sua irmã e dois cachorros, o Hugo e a Cléo. A Aline, por um esquema de sorte do destino, conseguiu se mudar para a casa de trás, tendo mais privacidade, um canto só seu. Felicidade pura. Cantinho cheiroso que o Fernando adorava. Como a menina. Já a casa do Fernando, melhor dizendo, o apartamento do Fernando, era no centro, de frente pro mar que ele pouco via, devido aos outros apartamentos que se erguiam em volta, apesar de ser muito bem localizado. Fernando, o pai e a mãe. E o também tinha o porteiro, que, mesmo não fazendo parte da família, estava sempre ali, reclamando da vida e tomando café. Confortável, a casa dos dois.

A 500 mts da casa do seu Sérgio, pai da Aline, a gasolina da moto acabou. E agora São Tobias dos Desesperados, me ajuda! orava o Fernando que de santo não tinha nada. A sorte dele é que 50mts atrás dos outros 500, o álcool do Gurgel acabou, diferente da sina do seu Sérgio, pai da Aline, que vinha atrás do rapaz com enxada em punho. Cortava mato, atingia cachorro, gato, passarinho, cerca, era a espada que a dona Justiça não enxergava havia tempos. O Fernando correu 50 mts e se engatou num skate. Apesar da rua da menina ser um mar de lajotas, sabe-se lá como, o Fernando conseguiu fazer aquele skate andar, correr, voar, tele transportar. Gato com fome come até sabão, já dizia o velho ditado milenar chinês. E o seu Sérgio, pai da Aline? Um carrinho de cortar grama foi a solução. 11h30 da noite e os dois numa perseguição que não se via desde a fuga dos judeus do Egito. As pernas do Fernando já não se aguentavam mais, o pulmão era um saco de arroz de 20kg e o seu Sérgio, vinha atrás. Faltando pouco mais, um tanto menos de 10 mts pra casa do seu Sérgio, pai da Aline, o skate quebrou e o pobre do Fernando voou ao chão. Ensebado e fedendo, ele foi correndo gritando por socorro, ajuda, perdão e algum palavrão, já que lhe faltava ar, ideia, saliva na boca e vergonha na cara. A Aline estranhou aqueles gritos, tão familiares, desferidos ao longe. Foi quando ele avisou o muro e se jogou na frente do mesmo, pichado com tanto amor, uma prova, uma obra para a amada. Coração, A e F. O corta gramas deu um espetacular cavalo de pau, lançando o seu Sérgio, pai da Aline, pra fora, numa manobra surpreendente, enquanto se espatifava, rodopiando e capotando. Seu Sérgio, pai da Aline, agarrou a enxada que vinha pelo ar, digno de malabarista chinês, quando o esfarrapado do Fernando falou as palavras mágicas: Desculpa seu Sérgio! Desculpa! Não me mata, pelo amor do santíssimo Senhor! Eu pinto seu muro! Agora, já! babando, cuspindo, chorando, com remela e ranho, sangrando, sujo e maltrapilho. Foi quando a enxada, magicamente, se transformou num pincel e numa lata. O Fernando olhou aquilo e só faltou marcar de marrom a cueca branca. Ao mesmo tempo que tudo isso acontecia, a Aline vinha ver o que ocorria em frente a residência.

Seu Sérgio, pai da Aline, de pijama, tomando um chá, com chinelinhos confortáveis vermelhos, só observava o pobre do Fernando, sujo como um andarilho e fedendo como um cão sarnento, pintando o muro com tinta amarela, quase uma da manhã, quando a Aline se surpreendeu com aquilo tudo. Ela só teve tempo de perguntar, antes mesmo de se entender pra entender o que acontecia ali:

– Pai? Meu Deus, O que é isso? Fernando, meu Jesus, pra que você tá pintando minha casa uma hora dessas? Você tá… Meu Deus… Olha isso!

E o Fernando, naquela condição toda, só conseguiu responder:

– Eu te amo! Eu te amo! Mas me salva, me ajuda, por tudo que é sagrado, me salva! Me salva, ai Jesus!

E seu Sérgio, deliciando-se com aquele chá de erva cidreira, pai da Aline, que nem conseguiu ver a declaração de seu amado, sem ter o que dizer, apenas proferiu:

– Boa noite pros dois pombinhos. E Fernando, essa cor fico ótima. Não acha, filha?.

Os dois com cara de tacho, não entenderam mais nada mesmo quando olharam naquele escuro um cavalo negro parado, fumando um cigarro.

Caos
Ponto final
Quem é o inimigo
Você é meu amigo?

Quem é meu amigo
Você é o inimigo?
Terrorista bandido
Guardião invisível
Seja gentil comigo.

“Não temerás os terrores da noite, nem a seta que voe de dia, nem peste que anda na escuridão, nem mortandade que assole ao meio-dia.
Mil poderão cair ao teu lado, e dez mil à tua direita; mas tu não serás atingido.”

Aperte o botão
A macia proteção
Aguente firme
O impacto
É mais duro
Que o chão

No três

A macia proteção
É mais dura
Que o chão
O impacto
Aguente firme

A lamina afiada, atenção redobrada.

“Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.
Pisarás o leão e a áspide; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.”

E a chuva cai
As gotas uma a uma
Formam a poça
De lágrimas loucas

E na noite de hoje
Quem chora?
Levante!
E lute como um menino!

Olhe seus dentes
Banhados, vermelhos
De sangue
Levante! Levante! Levante!

Suas preces
Já não me alcançam
E você ainda quer mais?
Tolo.

“Ele te cobre com as suas penas, e debaixo das suas asas encontras refúgio; a sua verdade é escudo e broquel.”

É só o começo
Apenas o inicio
Ouça as granadas
Sinta os tiros

Veja-os ao longe
Eles brotam, jorram
Como água da fonte
Límpida, cristalina

E como brilha a rajada
De estrelas cadentes
No escuro latente
Pessoas inocentes

E agora? (Ex)Terminou
Você esta contente?
Você esta feliz?
Sorria e diga x.

“Porquanto fizeste do Senhor o teu refúgio, e do Altíssimo a tua habitação, nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda”

Palavra da perdição
Salvação? Graças a Deus.
Os anjos estão
Caindo do céu

E eu? Eu? Eu
Coleciono suas penas
As suas e as deles
Você já decidiu?
Esse caminho ou aquele?

“Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.”

In nomine patris,
Et filii,
Et spiritus sancti.
Salaam Aleikum.

Pois me fugiram todas. Não sei se reclamo ao mundo ou evito de falar e assim não falo besteiras. Não sei se vai ser mais uma daquelas “crises” que acontecem e logo passam ou vai se prolongar com tantas coisas que eu ando vendo, ouvindo e aprendendo. Metano, ângulos, sujeitos. Excesso de informação é tenso, principalmente que você não tem tempo de pensar uma coisa qualquer e assim nascer um texto legal. Agora com esse projeto que quero fazer, então. Foco pra outros assuntos. Mudanças, mudanças. Boas e pra melhor.