Implosão

Vou te comer, hein!

Vou te comer, hein!

Implosão (Gabriel R./Mariana F.)

Roncou daquela vez como se fosse a última
Surrou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo largo
Se pôs a demolir como se fosse máquina
Derrubou no quinto andar quatro paredes fracas
Reboco por reboco num desastre trágico
Seus olhos inundados de tormento e ódio
Gritou para xingar como se fosse sádico
Comeu rabo de boi como se fosse um nobre
Bebeu e perturbou como se fosse um louco
Parou e catarrou como se fizesse música
E desabou ao piso como se fosse um sóbrio
E flutuou no ar como se faz um mágico
E se acabou no chão como sacola plástica
E terminou no canto do banheiro público
Morreu buscando ajuda e entupindo o vaso

Roncou daquela vez como se fosse o último
Surrou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o lógico
E atravessou a rua como sacola plástica
Se pôs a demolir como se fosse sólido
Derrubou no patamar quatro paredes fracas
Reboco por reboco num desenho trágico
Seus olhos inundando e entupindo o vaso
Gritou para xingar como se fosse um nobre
Comeu rabo de boi como se fosse máquina
Bebeu e perturbou como se fosse sóbrio
Parou e catarrou como se fosse o último
E desabou ao piso como se ouvisse música
E flutuou no ar como num feriado
E se acabou no chão feito papel de bala
Agonizou no meio do banheiro louco
Morreu buscando ajuda emporcalhando tudo

Roncou daquela vez como se fosse máquina
Surrou sua mulher como se fosse lógico
Implodiu no patamar quatro paredes fracas
Gritou para xingar como se fosse bárbaro
E flutuou no ar como se fosse um nobre
E se acabou no piso feito criança fraca
Morreu feito leitão aliviando o mundo

Por essa merda a fazer, por esse chão prá cuspir
E o caixão pra morrer e a vida a nos punir
Por me deixar estuprar, por me deixar iludir,
Deus me mate…
Pela farinha de graça que a gente entope o nariz
Pela matança e a desgraça que a gente tem que assistir
Pelas paredes imensas que a gente tem que implodir
Deus me mate…
Pela vadia rampeira pra nos gozar e sorrir
E pelas vespas amarelas a nos picar e ferir
E pelo fim derradeiro que enfim vai nos redimir
Que Deus me mate.

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