É igual ao quadrado da…

Ai meu Deus! Ai meu Deus! Que porta ela vai abrir? Cuidado com o que vai ter de trás dessas portas! Vai abrir qual porta? Vai abrir que porta? A número um, a número dois ou a número três? Momento de tensão na Oradukapeta! Ai meu Deus! Ajuda ela auditório! Qual porta a menininha vai abrir?! A número um, número dois ou número três? É a porta dos desesperados! Tá todo mundo desesperado! Ai meu Deus! A porta que ela vai ganhar a bicicleta e o videogame, vai levar pra casa um gorila de presente ou vai sair de mãos vazias é a um, a dois ou a três? Qual porta? Qual porta? Qual porta você quer?

O interfone tocou. É agora, ela pensou.

Que caralho! Quem é, porra?!
Eu não s…

Faltou o ei nessa frase, que ele mesmo completou: Ei! E ela saiu numa
disparada furiosa, como se fosse a pobre lebre fugindo da voraz raposa, na ânsia de ter uma sobre-vida. Ele jogou tudo pro alto e foi no embalo daquele corpo ao vento.

Volta aqui, filha da puta! Xingava, ao mesmo tempo que a outra vítima era largada ao chão, como um pesado saco de lixo. Pelo corredor ela gritava desesperada por socorro, mesmo duvidando que alguém escutaria. O que a fazia incrédula era que abaixo, um casal de idosos, ela com dificuldade para andar, ele com dificuldade para ouvir, que teriam poucas chances de ajudar. E para reduzir a zero, acima, um apartamento dado ao aluguel, desde sempre. No momento em que chegava na cozinha, ele voou aos seus calcanhares, como a mulher abandonada e arrasada, fazendo-a desabar, tendo no complemento do movimento, o interfone arrancado da parede, tal o machado decepa a cabeça do condenado. Com a garrafa em mãos, fez o primeiro sangramento, rasgando o jeans e a perna da negra, que, resistente, não titubeou e lhe mordeu violentamente o braço direito, cravando os caninos, os incisivos, e mais uns 7 dos 32 dentes que constituem sua clara e alinhada arcada dentária.

Cadela filha da puta! Esbofeteando-a
Se fudeu, babaca! Se fudeu! Ela felicitava-o, ainda meio que sem motivo, sem tal explicação para os parabéns fuderosos.
Vamos ver quem vai se fuder aqui! Ele disse apontando a garrafa para o negro pescoço e suas jugulares.

Nessa balbúrdia, quando menos se espera, a salvação se faz. A pobre
moça, mantida engravatada até a pouco, se desfaz dos nós, se deslaça, tirando o convidado de cima da anfitriã e lhe ensinando bons modos, prendendo-se nas costas do mesmo e agora lhe fazendo laço, a borboleta da gravata. O agressor se debate, tentando tirar o carrapato do couro. Sem a menor perda de tempo, a outra parte se arma com uma faca e logo a põe em uso, apontando para o pescoço da causa de toda essa desordem, já desarmado.

Levanta, filha da puta, ela ordena. Levanta! Dizia ela com os olhos vermelhos de pura raiva, violência e sangue.

E era a única reação possível. A motogirl, cinéfila, filha larga o ex-vocalista, ex-namorado, filho, que seguindo as ordens da publicitária, infectada, filha, levanta, agora indefeso como um cãozinho abandonado, com as patas pro ar, pedindo colo.

Sabe porque tu se fudeu, seu babaca? Sabe por que?!

O suor escorria do rosto do agressor, agora agredido, com a faca no pescoço, prontinha para fazer o ar entrar por uma nova via, o sangue jorrar e ver como é a luz do dia, ao menor movimento.

Não, respondeu engolindo a seca saliva
Eu vô te dizer e presta bem atenção, seu cachorro. Infectado. In-fec-ta-do, com a faca pontilhando o pescoço, ela dividia silabicamente a palavra.

Os olhos se abriram, como a boca ao questionar as respostas. Veio em sua cabeça a imagem da mãe, infectada também, uma doença rara, inexplicável, que ora melhorava, ora piorava. Ele pensou no martírio que a progenitora passava e todo o sofrimento causado naqueles que a rodeavam. Mais uma entropia naquele sistema todo.

Como?
Olha bem essa mordida no teu braço. Olha bem pra ela e sorri. Ela que vai te matar. Não vai ser eu, não vai ser ela, não vai ser a puta que te pariu. Vai ser essa porra de mordida que vai te matar, seu cachorro! Pontuando a sentença com um forte soco na boca do recém condenado à morte. O sangue mais uma vez se fez.
Vadia! Disse ele manchando o piso branco, limpando no braço o vermelho que vertia da boca.

A outra parte disso tudo olhava tudo atentamente, esperando uma resolução das partes para que pudesse saber se tomava seu rumo ou
continuava a participar do espetáculo. A negra virou-se para ela.

Você tá bem?
Meu pescoço dói um pouco.
Prazer, Francisca
Danie…

Lá, ali, aqui, no braço da motogirl Daniela, se fez uma mordida. Aqui, ali, lá, da boca da mesma Daniela, fez-se um grito de dor, um ai vibrante e atordoante, inesperado. O condenado fez-se condenador e condenou a garota Daniela a infecção. Francisca, a redatora vencedora, armada, cravante de dentes, aproveita o mote e crava a faca ao ombro do homem, causando mais um grito de dor, um urro leonino naquele ambiente selvagem.

Porra! Sua vadia! Gritando, abrindo os braços, esgaçando o peito e a mão a procura do objeto cortante fincado em si.
Caralho! Meu braço! Meu braço! Meu braço! Era o que Daniela
repetia olhando o ferimento. Caralho!

Francisca engravata o homem mais uma vez e lhe sufoca, enquanto Daniela cai ajoelhada ao chão olhando para a marca sangrenta feita em seu braço. Infecções no cinema são um tema bastante interessante, com diversas doenças causando finais surpreendentes. Os dois se debatem ao chão, tendo a incrédula Daniela como espectadora. O homem dá uma cotovelada, soltando-se e de pé, chuta a vitima no chão, que tem mais uma vez o teste de resistência. Daniela se levanta e agarra-se as costas do homem, que rapidamente solta-se e soca a garota. Francisca não titubeia e lhe aponta a faca. O homem não se faz por menos e lhe aponta a garrafa. Daniela não fica atrás e, no ambiente gastronômico da cozinha, naquela confusão toda, arma-se com uma frigideira, que se fazia pendurada pelos ganchos auxiliares acima do fogão, dando praticidade para quem cozinhasse em uma ou mais daquelas seis bocas.

Porra! Gritou Daniela

O triângulo mortal se fazia. A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Uma faca, uma garrafa e uma frigideira faziam-se de lados daquele triângulo. Ninguém ousava mexer-se, com medo de ser atacado, fazendo com que olhares fossem e voltassem nas faces e nos movimentos dos presentes. Os três infectados. Jovens, loucos e rebeldes.

Que porra de infecção é essa? Perguntou a irmã do falecido Fábio.

A negra olhava para um e para o outro, esperando que nenhum deles cometesse o deslize que atacar os corpos presentes.

É bom vocês…

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