E de repente fez-se silêncio. A plena quietude. O absurdo tomou conta, todos pararam. Os passos do andarilho, o correr do apressado, o andar dos carros, as voltas das bicicletas. Chaminés, as comportas, o movimento acelerado da força motriz. Tudo parado. Crocodilos, aligatores e jacarés parados, de boca aberta, vertendo suas lágrimas falsas, deram um tempo. A TV de produzir burrices, as prostitutas, prazer, a fama suas ilusões, a casa do dinheiro de produzir infelicidade. Tudo como estátua, homenageando o destacado general que cortou orelhas no Paraguai, na praça central. Orgulho da nação. A bola vermelha marciana, o calor solar, a bandeira na Lua. A temida greve mundial. As velhas rezando no Vaticano, carolas de vestido preto, tais como burcas em nome de nosso senhor Jesus Cristo, acompanhando o Papa, pararam. Todo aquele falar, aquela seborragia verborréica, todo aquele palavreado útil e inútil, errado e certo, direito e torto, parou. O som que aquela árvore faz, caindo no meio da floresta, pergunta persistente, naquele instante, foi silêncio. Tudo isso, perguntavam-se, porque? Por que tudo isso? Tudo congelado como um cagado de medo. Pararam pois ele parou. Parou? É. Parou de amar.

Sem amor nada anda.

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