Sábias palavras

Você e suas ideias brilhantes. Ah, como você mata e morre por elas. Não, você não mata e morre. Você vomita comentários em blogs e faces, ou despeja suas opiniões pelos bares afora, misturando brilhantemente conceitos inovadores com perdigotos alcoolizados. Mas não importa. Você acredita em suas ideias. É rápido no gatilho: começa a disparar rajadas com suas opiniões antes que qualquer um tenha tempo de falar.

Você e suas ideias brilhantes. Não mudaria uma linha delas, certo? Mas suas próprias ideias são mutantes. Por que comprar brigas com outras pessoas, gerar irritação e ódio, em nome de ideias que podem não ser mais as suas amanhã? Ah, são ideias que você preza, que não mudariam nunca? Meu caro, tudo em sua vida muda, e mesmo suas ideias vão mudar de alguma maneira. Talvez não mudem de direção, mas podem mudar de cor, brilho, consistência. Mesmo sendo a mesma ideia no caroço, ela pode se ampliar, crescer como uma trepadeira (ou uma rede neural, dependendo da metáfora, simples ou pedante, que você escolher), e crescendo ela vai abranger outras ideias, abraçar outras mentes. Você se sentira melhor, menos sozinho, estará conectado a outros, vai receber muito mais do que irá dar.

Mas, veja só, como você se apega a suas ideias brilhantes. Não pelas ideias em si. Se você gostasse realmente das suas ideias brilhantes, iria gostar de ver como elas se enriquecem em contato com outras ideias. Se o que você gosta é da inteligência, se o que move você é a busca pela verdade, então deveria gostar da contestação. Amar os questionamentos, que o ajudasssem a se afastar do erro. Mas não é por causa das suas ideias que você briga. É por causa das suas posições. Da sua imagem. Em nome das pequenas vitórias dos debates mesquinhos.

Isso. Leve para casa o seu Troféu Cabeça Dura. Masturbe-se com suas Ideias Fossilizadas. Ideias que nunca vão dar em nada, porque você não quer colocá-las para circular, se misturar por aí, receber o toque, o abraço, o beijo das outras ideias. Elas vão morrer dentro de você, secas e ridículas.

Fausto Salvadori no seu Boteco Sujo.

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