Poema achado no…

Nota

Poema achado no lixo
se faz impreciso, se faz intranquilo
Não sai disso nem daquilo
encardido, fedido, maltrapilho

Poema achado no lixo
Atrai barata, lagartixa e mosquito
É esquisito, não seria meu filho
Daria para adoção, tranquilo tranquilo

Poema achado no lixo
quem teve coragem de pensar nisso?
proto poeta de coração partido
ou um pseudo romantico ferido e abatido?

Poema achado no lixo
junto a cascas, restos e sucrilhos
lado a lado com os restos de um crucifixo
protegido por um vidro de palmito

Poema achado no lixo
Perdi meu tempo lendo isso
enquanto o aluminio tá 50 centavos o quilo
e eu tenho que sustentar a mulher e os 4 filhos

quanta besteira…

Nota

quanta besteira eloquente

é estranho voce olhar tudo e perceber o vazio tomando conta. nao vejo sentido nessa vida que apresentam ser a adequada, focada em dar entrevistas e mostrar que o ensaio rendeu. é tao oco, tao repleto de vacuo que me questiono constantemente como olham graça nisso, como isso pode gerar lucro e riqueza, banalidade rendendo mais banalidade. antes que digam, não sou contra o lucro e a riqueza, também me interessam, só que a forma desinteressante como é apresentado me coloca se realmente é necessário? me pergunto também se parar de prestar atençao nisso – no tudo, no todo – isso irá sumir, como guerras orientais e notícias de última hora e atualizaçoes programadas e blablablablablablablabla, que é tudo montado para desviar a vista do que realmente importa. só que o que realmente importa? é voce ter equilibrio? mas o equilibrio, o 1 e 1, o 2, é realmente a resposta? e se eu quiser ser mais que a água, se eu quiser ser a mutaçao em si, o que serei? se somos cíclicos, então somos cachorros atrás do próprio rabo, sentindo o cheiro de cu constantemente? e se as caixas onde vivemos fossem redondas, o tédio seria em formatos de bolhas de sabão? qual a noçao de ter sentido? acho que preciso achar a cabeça pra perder o rumo, só tenho que tomar cuidado para não perder a cabeça esperando um final feliz.

o que é isso q…

Nota

o que é isso que eu to falando?

atormentado por fantasmas do passado, nosso heroi fecha os olhos a fim de nao ver as assombrações que se propagam ao seu redor. Surgem por todos os lados, vindas de cerebelos distantes, que causam pavor e arrepio na espinha a cada espasmo que provocam. andando pela rua, solitário, cuidando onde passa, por onde entra, nao dando bobeira para ser alvo dos rastejantes. um cigarro, uma moeda, nao fumo, nao tenho dinheiro, até mais, ow jogador. respostas tipicas para que as tormentas nao sejam maiores. o céu tá ficando escuro, aqui sempre ventou, mas hoje tá demais. reconheceu um rosto na multidao, ja o viu em tal show, com 3 bandas e uma barraca de cds. reconheceu outro, já a tinha visto no mesmo dia, vindo pra este mesmo lugar. engraçado esse cruzamento, palavras cruzadas a venda na banca, ele lembra da mãe e da tia. bolinho de chuva quando saiu de casa e a chuva começa agora, faz frio, o casaco com o ziper quebrado, o all star furado. é muita loucura. são muitos pombos. alguém já cometeu a loucura de chutar um pombo? agora, pior do que matar católicos, ontem, não tinha tanta importância. eram pombos. sonhos, na padaria que passa ao lado e sempre quis entrar, só que parecia desinteressante, como tv, voce ve e deixa ligada e vai fazer outra coisa. tirar esmalte da unha.

de noite é tã…

Nota

de noite é tão vazio, não sinto frio. as luzes lá de fora é que dão o único movimento em magníficos e amplos salões. me engraço como Elisa e creio ser única, desconheço outra. explico que há outras como eu, mas nenhuma com tanta dor, tanta aflição. todavia, isso não me afeta, que seja sabido, mostra apenas uma diferente dimensão de beleza, onde o verdadeiro, o bom e o belo estão amparados em outro pedestal e voce sabe bem, que fazem-se ali. nos corredores, nos quadros nos corredores, nos personagens nos quadros nos corredores, no pensamento nos personagens nos quadros nos corredores, a arte se idealiza e tem como artista a vida, a natureza, o acaso. carpe omnium. um dia fomos alguém, fomos algo, fomos de plebeu a deus, de heróis a covardes. estamos mortas, contudo imortalizadas como se pod
e tocar. aqui, relembro o que passou, quem passou e passará e, em nossos olhos mortos de coloração vivaz, eternizará na memória a expressão. minha e de outras de nós, outras que estão aqui desde o começo, desde o mosaico dos ladrilhos, desde a pedra fundamental, desde o esqueleto a ser preenchido com tijolos, cimento e pedras e futuras lembranças, fazendo memória e dando expressão. repito que até antes disso, daquilo, dessas ruas, dessas árvores, desses vivos admiradores apreciadores, já éramos matéria bruta e no sentimento já tínhamos formas, já éramos desenvolvidas, já éramos feitas, prontas e nobres, constantes, desde o último retoque e assinatura do artista. era tudo questão de tempo. tempo?. o que é o tempo para as estátuas no museu?

Espanca Espanca…

Nota

Espanca
Espanca
A flor bela
Espanco
Espanco
Até sair manco
E o tamanco
Quebrado rachado
Pelas pétalas
Das flores belas
Do maracujá
Que não combinam
Com o jardim
Mascarando colorindo
As sutilezas
Do puro e belo
Nobre e branco
Jasmin.