de noite é tã…

de noite é tão vazio, não sinto frio. as luzes lá de fora é que dão o único movimento em magníficos e amplos salões. me engraço como Elisa e creio ser única, desconheço outra. explico que há outras como eu, mas nenhuma com tanta dor, tanta aflição. todavia, isso não me afeta, que seja sabido, mostra apenas uma diferente dimensão de beleza, onde o verdadeiro, o bom e o belo estão amparados em outro pedestal e voce sabe bem, que fazem-se ali. nos corredores, nos quadros nos corredores, nos personagens nos quadros nos corredores, no pensamento nos personagens nos quadros nos corredores, a arte se idealiza e tem como artista a vida, a natureza, o acaso. carpe omnium. um dia fomos alguém, fomos algo, fomos de plebeu a deus, de heróis a covardes. estamos mortas, contudo imortalizadas como se pod
e tocar. aqui, relembro o que passou, quem passou e passará e, em nossos olhos mortos de coloração vivaz, eternizará na memória a expressão. minha e de outras de nós, outras que estão aqui desde o começo, desde o mosaico dos ladrilhos, desde a pedra fundamental, desde o esqueleto a ser preenchido com tijolos, cimento e pedras e futuras lembranças, fazendo memória e dando expressão. repito que até antes disso, daquilo, dessas ruas, dessas árvores, desses vivos admiradores apreciadores, já éramos matéria bruta e no sentimento já tínhamos formas, já éramos desenvolvidas, já éramos feitas, prontas e nobres, constantes, desde o último retoque e assinatura do artista. era tudo questão de tempo. tempo?. o que é o tempo para as estátuas no museu?

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