Eu tenho super poderes, já lhes aviso. Ou algo parecido, acho eu. Não visto capa, nem tenho garras afiadas, nem um grito supersônico. Contudo gostaria eu de sair voando por ai, vendo as meninas através das paredes, coisa de filme. Bem, eu tenho a capacidade de olhar para uma pessoa e saber automaticamente tudo sobre ela, disse ele aos espectadores presentes no estúdio B, onde, após a descoberta desse fato pela população em geral,, sua vida mudou completamente..

“Quem sou eu, então?” – pergunta o entrevistador

Bem, como já é sabido, seu nome profissional é Nelson LeRoy, mas seu nome verdadeiro é Nelson Schultz Jebediah LeRoy, o segundo, natural de Madison, Winsconsin. Tem 47 anos, é casado, sem filhos, sua mãe é falecida e seu pai é professor aposentado. Seu esporte preferido é o poker e em 1986 você caiu de moto e colocou duas placas de platina na perna esquerda.

O entrevistador começa a aplaudi-lo, assim como o auditório.

“E onde tudo isso começou?”

Bem, eu era pequeno, devia ter uns 6, 7 anos, quando vi na TV o presidente John Kennedy ser assassinado. Automaticamente, fiquei sabendo quem ele era, minha lembrança era essa, que tempos atrás eu já tinha me dado conta desse dom, aos poucos, principalmente por ser criança e não ter muita noção. Quando apareceu seu assassino, o narrador falou seu nome com a exibição de sua foto, junto com policiais e outros homens, Lee Harvey Oswald. Eu virei para meu pai, que via o programa comigo, e na inocência lhe falei: “Papai, este homem é Lee Harvey Oswald, ele nasceu no estado de Nova Orleans, no dia 18 de outubro de 1939. Ele tem dois irmãos, Robert e John Pic, um tem 20 e o outro tem 17”. Meu pai olhou para mim sem entender e riu, falando “Tudo bem, filho. Hahahahahaha. Tudo bem”.

“Roseanne, você, no computador, pode nos confirmar isso?”
“Claro. Aqui está: Lee Harvey Oswald, nascido em Nova Orleans, no 18 de outubro de 1939, falecido em Dallas, 24 de novembro de 1963 foi, de acordo com três investigações do governo dos Estados Unidos, o assassino do presidente John F. Kennedy, ocorrido em Dallas, Texas, em 22 de novembro de 1963. Lee Harvey Oswald nasceu em Nova Orleans, Louisiana. Seu pai, Robert Edward Lee Oswald, Sr., morreu dois meses após o nascimento de Lee. Sua mãe, Marguerite Frances Claverie, criou sozinha Lee e seus dois irmãos mais velhos, Robert e John Pic.”
“Mas é incrível, minha gente! Aplausos para este homem, aplausos! Bem, estou fascinado! E depois disso? quando você começou a ter ciência e noção completa, quando ficou maior e percebeu corretamente as coisas, como foi?”

Com meus treze anos, comecei a ter um certo stress, pois via todos na rua e automaticamente sabia tudo, era uma sobrecarga de informação muito grande. Entretanto, fui aperfeiçoando isso, uma espécie de meditação, de desligamento. andava pela rua e não pensava muito atenção, mas sentia mais as coisas, ficava desligado e prestava atenção em poucas coisas. Via as meninas e ia sabendo as coisas delas, seus nomes, idades, desejos, sabe… coisa de adolescente. As vezes, por brincadeira  ia para as praças, locais de concentração popular e ficava observando as pessoas e descobrindo quem elas eram, um misto de curiosidade e conhecimento. Era engraçado ver tanto as pessoas mais velhas como mais novas e ver a bagagem que elas traziam, toda sua ficha corrida. Isso é meio estranho, até eu mesmo já considerei esquisito, mas afirmo que sou um homem de bem, levo comigo o mandamento de não fazer com os outros o que não gostaria que fosse feito com minha pessoa.

“Sim, bastante interessante essas informações. Este homem causou um certo rebuliço na América, estando nas capas e manchetes das principais revistas e jornais pelo país afora. Sinceramente, vejo você como uma pessoa normal, comum, como qualquer um de nós tanto que estão vendo pela televisão, como aqui no estúdio, porém com uma capacidade incrível. Não sei como explicar o sentimento, essa possibilidade de conhecimento pessoal jamais vista. O que mais você pode nos contar? Você já antes tinha divulgado esse dom, esse feito para alguém, para seus amigos, familiares, enfim?”

Apenas duas pessoas sabem, antes da divulgação: Uma, era minha vizinha e atual esposa, Lucy. Soube quando nós tinhamos dez, onze anos, e éramos e ainda somos fãs dos Beatles. Havia aquela coisa de ver pela TV e ficar fascinado com a popularidade. Uma vez, nossos pais foram jantar num restaurante no centro da cidade e eu vi aqueles quatro homens um tanto estranhos e disfarçados, sabe, uma coisa inconveniente, mas que se passava por natural sem que os presentes percebessem. Quando os vi pelaTV, soube que se chamavam John, Ringo, Paul e George, guardei esses nomes e só. Fiquei o jantar todo olhando os homens e em um momento me toquei de quem eram! Foi incrível! Meu sorriso se abriu e imediatamente apontei para eles e falei baixinho para Lucy: “são eles! são eles! os Beatles, Lucy! são eles!” ela fez uma cara estranha pra mim e perguntou: “onde, onde? você está maluco?” e lhe respondi “aqueles quatro homens estranhos, de barba postiça e de chapéu, olhem para eles. são John Lennon, Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison, os Beatles! Não adianta disfarçar, eu sei que são! John toca guitarra, assim como George, Ringo bateria e Paul, baixo” assim que lhe disse isso, ela me chamou de tolo e eu continuei: “todos eles nasceram em Liverpool, na Inglaterra, que faz parte da Grã-Bretanha, onde a rainha Elizabeth Alexandra Mary e o rei Filipe, duque de Edimburgo, que fica na Dinamarca, lá no alto do mundo, governam o Estado e fazem o casal real, com seus filhos Andrew, Charles e Anne. John e Ringo nasceram em 1940, Paul em 1942 e George em 1943, John em outubro e Ringo em julho, George em fevereiro e Paul em junho. Paul é esquerdo, enquanto todos os outros são direitos, o nome do meio de John é Winston, James é o primeiro nome de Paul, Ringo se chama Richard, e George é cristão”. Ela olhou para mim séria e falou: ” você tá brincando comigo, para com isso” e ficou a brincar com os talheres, mas eu falei “não, não tô não” e ela rusgou que eu estava mentindo e foi contar para seu pai, que, assim como o meu anteriormente, também não deu muita bola.

Fomos pra casa, eu tentando convencer ela e ela não acreditando, até que de tarde, no dia seguinte, estávamos vendo TV e a programação apresentava um jogo de perguntas e respostas, sendo os participantes eram pessoas famosas. Foi quando disse para Lucy: “Lucy, você sabe quem é está ai? Essa é a Sophia Loren, mas você sabe onde ela nasceu e em que dia?” e ela disse que não, que não sabia e eu lhe disse “pois bem, só de olhar para ela, eu sei que ela nasceu na Itália, na capital, Roma, mas se criou numa cidade do interior, de nome pozzuoli. O nome dela não é Loren, é Villani Scicolone, o Villani por parte da sua mãe, que se chama Romilda e o outro nome, Sicolicolone – disse eu brincando – é por parte de seu pai, Ricardo.” Enquanto isso, deixei de citar, a irmão mais velho de Lucy, Jack, estava vendo o programa pois justamente era fã de Sofia e nós apenas víamos o programa por causa ele. Foi quando ele, escutando a conversa, fez uma cara de espanto e perguntou: “garoto, de onde você tirou tudo isso?” eu lhe disse que apenas sabia e que sabia muito mais só de olhar para Sofia e que iria lhe falar mais, que “Pozzuoli ficava perto de Nápoles, que ela ainda tinha dois irmãos, Giuliano e Giuseppe, que seu pai tinha deixado ela quando pequena e ela tinha ido morar com a avó e que sua mãe era professora de piano” não deu outra e ele como fã, tendo revistas e posters de Sofia pelo quarto, um admirador do cinema e da musa italiana, ficou chocado “ei, como você sabe disso? onde você leu isso?” Lucy riu “ele não sabe nem ler direito” nesse momento disse “apenas sei, lalala!” Lucy riu e disse “é, apenas ele sabe, lalala!” e a partir desse momento ela pôs a crer em mim.

“e o irmão de Lucy?”

O irmão de Lucy saiu gritando pela casa. Ao contar para seus pais, eles não acreditaram tamanha a mentira que seu filho contava sobre uma criança, falando que era impossível. de tanto ele insistir, seus pais decidiram lhe colocar de castigo por contar tamanha mentira. Até hoje ele acha que eu li aquilo, que decorei por suas revistas e coisas de cinema. Sabe como é, que aquilo era coisa de criança.

“hahahahahaha” riram a platéia e o apresentador

A entrevista transcorreu bem. O entrevistador ainda me fez alguns testes, como perguntar quem eram os membros da platéia, do auditório, entre outros, sendo que respondi todos corretamente, com curiosidades e segredinhos. Questionaram-me se eu usava algum tipo de ponto, de sinais, de “ajuda divina”, porém provei e neguei todos os recursos. Para todos contei fatos da minha vida, o que pretendia fazer dela após ser descoberto – sendo essa uma outra história muito interessante – e como estava me sentindo, como sentia-me em ter esse poder, esse dom. Respondi que era normal, que não havia nada demais. Logo que a entrevista acabou, vieram recolher o microfone, me cumprimentar, modos sociais, sendo ao fim que me levantei e fui embora.

Ao pegar o elevador, um senhor aparentando bastante idade, baixo e bem trajado, entrou comigo a cabine e me cumprimentou com um carregado sotaque alemão “olá”. Eu, despercebidamente, acenei a cabeça e fiquei a olhar o chão, cantarolando. Como tinha dito, desligo do mundo, não presto atenção as pessoas para não me sobrecarregar, ou até mesmo no momento me fazia ausente. O elevador parou novamente, passageiros entraram e saíram e eu, ao levantar a cabeça, num movimento qualquer, tomei um choque. Não pude crer o que via, o que se passava aos meus olhos e aos restantes dos olhos não se vislumbrava. O homem, ao sair do elevador, olhou nos meus olhos, percebendo assim eu seu tapa-olho direito, e neste momento, percebi quem ele era. Percebi quem se fazia na minha frente, incrédulo, sendo desmentindo pela verdade e desmentindo a história. Olhei, e o homem, nada mais, nada menos, era Adolf Hitler.

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