Nota

E inspirado por Django Livre, eu me pus a escrever…

“E o Brasil, vejam só, voltou a época do faroeste. O Supremo Tribunal Federal, preocupado com o absurdo aumento da violência – quase 500% entre 2056 e 2058 – por todo o território nacional aprovou na noite desta quarta-feira a volta dos chamados “caçadores de recompensa”. O governo federal contratará, a partir do segundo semestre do ano, homens e mulheres e seja lá quem mais for, dispostos a literalmente caçar pelas cidades afora criminosos dos mais diversos tipos e pagar por isso recompensas estipuladas pelo grau de periculosidade do fora da lei. Por exemplo, um homicídio qualificado, considerado crime hediondo, ou seja, crimes que merecem maior reprovação do Estado, como estupro, latrocinio e sequestro, o caçador que recuperar, vivo ou morto, o criminoso receberá entre 3000 e 5000 reais. Crimes mais leves receberão entre 500 e 2800 reais. Se o caçador conseguir liquidar a quadrilha ou o bando, ele ainda pode receber benefícios financeiros ou de quaisquer outros tipos determinados pela autoridade que acompanha o caso.

Os juristas e especialistas no assunto dizem que isso é reflexo do sistema carcerário falido, já que estão entupidos, transbordando de presidiários e sem a mínima condiçao de recuperaçao, vivência, mudanças, que não encontram mais, desistiram de achar uma solução em razão do enorme problema que é a criminalidade nacional. Soma-se a isso a ineficácia das leis, da polícia corrupta, do sistema penal e de outros tantos fatores já mais do que conhecidos. O primeiro ministro, Jorge Luis Ezequiel Neto, qualificou a medida tomada como a mais correta, escolhida pelos mais pensantes homens da lei e apoia totalmente, “de cima a baixo, de cabo a rabo”, como disse o mesmo em depoimento à imprensa após o saber o veredito. A populaçao, em busca de senso de justiça e proteção, mais do que cansada de tanto abuso, parece ter o mesmo pensamento, que não adianta mais prender, isolar, por em prática medidas legais, que está exausta de ver isso há mais de 50, 100 anos e nenhum resultado é observado.

Pois é, caros telespectadores, pensava eu que o Brasil, tanto glamurizado por ser mais do que nunca o país do futuro, da econômia exorbitante, dos cérebros privilegiados, dos primeiros jogos estrelares, regride – ou nao, será? – no que é mais importante e, por incrível que pareça, mais dispensável nos tempos atuais: os direitos humanos.

Antônio Duarte para o Jornal da Noite.”

Nota

Agora
sem titulo
bloco de notas
arquivo
editar
formatar
exibir
(ó! e agora?!
quem poderá me)
ajuda
(eu!
o chapolin colorado!)
pra baixo
pra cima
fechar

Por trás
facebook
firefox
palavreado baixo
do viciado no oxi
roubando a tv
ei!
música tocando
minha cabeça
pirando nesse
liquidificador
suco de couve
com limão
burp!
bão!

Lá fora
a vida
menina
alegria
frenesia
contagia
intensifica
agita
o verão
olha!
o balão
lá no céu
bonito, filho
muito bonito.

Nota


e não só olha
nem ignora
as palavras que eu digo aqui
muito se faz
pouco se vê
fazer o que?
a gente vai levando
e continua esperando
que alguma coisa vai mudar
“vai nada”, diz minha mãe
e antes dela a mãe dela
e sabe-se lá
quantas outras mães tiveram
até todas acabar
e continuar dando em nada
vida engraçada
vida sem fé
sem cabeça, sem pé

O tempo da poesia
é relativo
é impreciso
é arisco e mestiço
e varia de mim pra ti
e de ti pra ela
e dela pro todo
pois cada um vê a forma que quer
e ficar deformado com o que é
e não importa se vão odiar
nem quero que gostem também
e é até melhor assim
que não seja incontestável
nem impactante
muito mais chapante
que não seja nada
seja estrela
a vagar no espaço escuridão

Nota

Poema prum amor não correspondido

quero fuder
quero te fuder
quero te fuder a fundo
quero te fuder profundo
quero te fuder inteira
frente, atras, esquerda, direita
no meio, em cheio
dos pés a cabeça
invertida divertida
quero te fuder muito
quero te fuder todo dia
e mais uma noite
e mais outro dia
e outro após outro
e mais uma hora
sem demora
quero te fuder de madrugada
em cima da cama,
embaixo da escada
te fuder no café da manha
e durante o almoço também
te ter como sobremesa
uma refeiçao inteira
e no jantar
uma rapidinha
pra ir dormir bem
ajoelhou tem que rezar, amém
quero te fuder
pra acordar mais um dia
pra te fuder mais ainda
e nunca mais parar
sem cansar
quero te fuder tanto
tanto ao som de um tango
e de pouquinho a pouquinho
devagarinho, um chorinho
fuder e fundir
fera fudida ferida
nao parar, continuar
interminar
quero fuder teu cu
quero fuder tua buceta
teus buracos do nariz
tua boca, tua orelha
com teus brincos
fazer uma dupla penetraçao
entre teus dedos do pé
derramar-me em tua mao
dar-te de beber
saciar, folego tomar
matar tua sede de tesao
vamos fuder a luz da sol
vamos fuder a luz da lua
vamos embaixo dum poste,
vamos às lampadas da rua
te fuder apoiada na pia
te recolher jogada na mesa
upa upa cavalinho na cadeira
jogando videogame,
hora de brincadeira
quero te fuder numa bicicleta
ser um selim vivo
e de pé, no banho
eu te arreganho
lavando agora
pra sujar depois
a água lambendo nós dois
e nao me mente
nao me mente
que tu nao gosta
tu gosta
gosta e como gosta
eu sei que tu gosta
por deus, adora
olha o jeito que rebolas
como viras os olhos,
como entortas
tua cintura de mola
sei que gosta
e goza
gozas, gostosa
goza.