Lhe deram um papel com um endereço. E disseram que lá ele teria a resposta. E lá ele foi. Entrou pela porta de vidro, olhou o zelador, ele olhava as cameras e apenas mexeu a cabeça dando oi. No elevador, pediu a moça que o levasse ao sétimo andar. E assim ela fez. Chegando no sétimo, ela avisou que lá estava ele e ele tomou o rumo do 706.

“Bata sem entrar” era o que estava escrito. “Bata sem entrar”?. Bem…

Ele entrou. E havia uma outra moça, um telefone, um aquario e uma porta. Ele perguntou se era ali o lugar e ela respondeu “O do papel?” e ele retrucou que sim e por fim ela disse que era. E ela disse como fazia e disse que era pra ler, assinar e assim ele podia entrar. Leu, assinou, sorriu, coçou a cabeça e por fim entrou. Ela disse que uma hora ou outra a coisa iria aparecer e no fim ele teria a resposta pra pergunta que fazia.

Ele se lembrou que foi um cara na rua, desses de bobeira, que quando ele estava de bobeira, deu o papel pra ele e disse que a coisa era boa, a solução era imediata, na hora. E ele não tinha nada a perder, o tempo não era algo importante e foi lá. Foi e foi e chegou e agora queria saber quando teria a resposta.

Pois bem. Deu um tchau pra outra moça, passou pela porta e foi, mais uma vez. Logo deu conta que estava numa espécie, num tipo de labirinto. E como o tempo não era problema e sua paciencia era grande, foi indo, andando. E andou, passou por paredes, por tetos, por chãos e continuou andando. Uma hora – não, várias horas – pensou que já havia passado pelas paredes, pelos tetos ou pelos chãos mas na verdade não sabia se estava se confundindo ou queriam confundir ele. Enfim.

Continuou andando e o que parecia horas e minutos, se transformaram em semanas e dias em alguns instantes. Quantos instantes? Eu não sei, deduza você. Parecia que estava na cidade perdida de Kowloon, com aquele montaréu de corredores, vielas e fios desencapados. E andava e as vezes parava pra pensar como desejava algo para beber ou se havia cameras por ali e teria algum problema ele fazer xixi. Foi andando, andando, por um tempo que seu relógio não marcava. Aliás, que relógio? O relógio e o tempo, que já não eram importantes pra ele, ali então não tinha valor nenhum, eram como o tempo e o relógio. Sim, os mesmos.

Foi indo até que foi chegando e chegou numa espécie de final. Era uma parede curva, que não era reta. Era como, deixe eu ver se consigo te explicar, era como algo curvo, só que levantado, como o final do labirinto com bolinha, sabe. E ele encontrou aquilo e ficou a pensar e pensou e perguntou o que era aquilo pra si. Foi quando por um descaso, olhou seu polegar e lá encontrou uma mancha, que nunca havia estado ali, pelo menos ele não havia percebido até agora ou ela nunca esteve ali mesmo e só agora foi aparecer. E passou o dedo da outra mão ali, para ver se saia.

Nisso sentiu na sua cabeça uma espécie, um tipo de dedo coçando uma cabeça. Estranho. Passou o dedo novamente, esfregou e novamente sentiu o dedo, aquela coisa coçando sua cabeça. Porra. Passou, esfregou, coçou, lambeu e coçou e novamente aquele sentimento. Cacete. Numa dessas, quando passou o dedo novamente, ele rapidamente olhou para trás, pra cima, na diagonal e percebeu um dedo. Na verdade não percebeu. Na verdade não um dedo. Era uma coisa que parecia um dedo e assim ele percebeu. Num estalo. E viu.

Viu o que?

A resposta?

Pra que?

Pra pergunta?

E qual era a resposta?

A resposta era ele mesmo.

Ele mesmo? Como?

É. A felicidade.

A felicidade estava nele mesmo.

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