Este não foi meu primeiro blog e nem foi o último, ou será o último. Quando eu leio as coisas nele e nos outros eu percebo que já escrevi bastante, mas poderia ter escrito mais, e até mesmo melhor, ou menos, com mais qualidade, e melhor também. Uma questão de evolução, de pensar as coisas que escrevi e pensei em escrever e só escrevi por escrever e poderia ter revisto melhor, pensado melhor, feito melhor, mas tudo evolução, tudo tempo percorrido, linhas percorridas.

Já fazia um tempo que não escrevia aqui e deve ainda ter um pessoal que acompanha pelo e-mail ou vem aqui ler ou nada disso, nem lê mais, nem existe mais. Deve ser poucos o que param e se atentam a ler o que eu escrevi e escrevo, que nem dão bola, que não tem figurinha é muito chato para e ficar blablabla poesia coisa de fresco história coisa de quem tem tempo. Tens tempo, hein Gabriel, quantas coisas escritas até agora, quais são suas preferidas, quais você não escreveria, o que você faria e ainda deseja fazer. É, muitas coisas, questões, perguntas, sabatinas, coletivas de imprensa, debates, conferências, muita coisa. Tudo isso numa imaginação passageira que eu fico pensando enquanto vou ao banheiro ou fico chapado. Essa última alias, tento ter a pretensão de não ficar mais muitas vezes ou por muito tempo. Demorou, né? No fim, vai fazer bem, tudo que é de mais faz mal, já diziam tantos por ai e eu não vou repetir a mesma ladainha.

E desde que eu criei esse blog, que no começo era para ser de coisas engraçadas, mas que pegou bem uma fase tensa da minha vida e acabou que eu abandonei porque não aguentei o peso das coisas, muitas coisas aconteceram. Também, era para ser assim, ficar parado é coisa pra poste e pro cachorro vir e mijar, já disse num desses escritos perdidos por ai. Foi tanta coisa que eu muitas vezes me pego pensando – chapado ou não – que ainda foi pouco, que poderia ter sido muito mais, sem procrastinação, sem ócio criativo, sem preguiça, mas com vontade, boa intenção, vigor de querer avançar, ir pra frente, crescer. Nem sei quanto tempo passou, mas para mim parece que foi muito e que eu fiz pouco e que na verdade – será? – ou pouco e que eu ainda posso fazer muito.

Isso pode parecer retrospectiva de ano novo, mas apenas estamos na data que este post vai ser publicado, eu tenho 30 anos e ainda faltam mais uns 50 para eu morrer – será? Até lá pretendo escrever mais ainda, ter outros blogs – isso se até lá ainda ter database para armazenar tanta coisa (será que eles não pensam que um dia pode bugar tudo e vir tudo por água abaixo. Ainda vem me falar que o papel vai ser extinto, sei não.) – outros projetos, quem saber plantar uma árvore ou um pé de maconha só para ver crescer, como aquele filho que eu ainda quero ter, mas sabe, ainda, quero, filho, ter… muita coisa. Só faltou o livro, né. Bem, o livro, é… Teve 3, 4, que ninguém nunca comprou. Eram livros mesmo? Bons ou ruins, eram livros mesmo?

Tava vendo aqui faz pouco tempo umas páginas antigas (tô cada vez mais à procura delas, a internet antiga me parecia mais razoável que a de hoje), fui parar na tal do Cardoso On Line, vi que várias pessoas em voga hoje saíram ali, o Galera, o Pellizzari, a Averbuck, um povo ai, e deu no que deu, tão ai, traduzindo, escrevendo, participando de reality show de casais, enfim, tão ai. E eu, tô aqui. Faz tempo que tô, mas faz tempo que muita coisa aconteceu, por mais que pareça que não. Será que eu ainda tõ no começo, passei da primeira fase, ou ainda tô usando uns continues, esse papo reflexivo, vou virar vidraceiro e fazer espelho, mó merda isso. Minha escrita evoluiu, tô usando umas palavras mais bonitas, tô raciocinando mais no que escrevo, também, se eu ficasse no mesmo ponto de quantos anos atrás dai sim eu me acharia um merda, mas até que tenho uns likes no Facebook, o Palavreado tá lá, ainda tem gente que se lembra de mim. É, poderia ser pior, eu poderia ser o MC Biel, poderia ser tanta gente ai, mas eu sou eu. Tamo aí, vamo que vamo que ainda tem muita coisa.

Acho que agora deu, acabou a música aqui e eu quero ouvir outra, só não queria parar o fluxo para ter que trocar de música e me perder todo.

Até outra hora aí. Por enquanto, leiam o que eu escrevi, olhem os outros blogs, conversem entre si, tomem um café, enfim.

(No final, foi nada por nada, ainda voltei para escrever isso. Será mesmo que mudou algo? Já dizia o velho Lee: seja como a água. Mas te digo que muitas vezes parece que tô numa banheira e só tá rodando a roda do moinho. É, enfim.)