De verdade
Eu não sei como havia
Como tinha
Como pode…
Era ruim
Tudo aquilo
Mesmo
Mesmo.

De ter escrito
Não tinha como escrever
Como?
De ter pensado
Ter processado
Merecia é um processo
Ruim
Tudo sem nexo
Ou conexo
Sei lá
Olhando daqui pra lá
Ruim
Desnecessário.

Nem sei os porquês
De pq tô mostrando pra vocês
Contando
Fazendo vocês lerem
Horas perdidas
Preciosas na frente da TV
Perdidas
Nem devia
Uma surra
Ah, uma surra
Ostracismo.

Segredo para lembrar, só
Na hora do banho
Limpando a sujeira do umbigo
Lavando os dedos do pé
Passando fio dental
Bochechando enxaguante
Fundo nos olhos,
Pensando no almoço,
Aquele buchicho,
Murmurinho sem atenção
Mosca voando na alface
Quando não quer escutar
Nada
Quieto para ninguém saber
Nada
Só,
Sozinho.

Tempos sem ordem
Ritmo sem frases
Assentos fora do lugar
Tudo desarrumado
Ç rimando com F
Dizendo esse e S.O.S
Dodecassílabos
De onze sílabas
Onde isso?

Olha…
Olha…
Tudo…
Como eu tinha
Ou pensei
Tinha pensado
Pensei tinhoso
Explanado
Em escrever aquilo
Isso
Pensando em quê?
Pra quê?
Impressionar a crítica
Vai impressionar, vai…

Tanta coisa pra fazer
Até cruzar os braços
E não fazer nada
Seria melhor
E fui inventar
Achando
Pois…
É
É, pois
Agora foi
E eu só queria…

É,
Daí você pensa
Que agora
Depois dessa breve confissão
Tão aconfessional
Tão comensurada
Poeta sofredor
Bom fingidor
Vem com uma tirada engraçada
Ou com um verso marcante
Digno de dignidade
Pra sentir pena
Ou pra dar uma risadinha
“kkkkk”
“Esse cara sabe das coisas”
“Avantguarda!”

Mas nada,
Fecha o livro
Vai pra casa
É só
Acaba aqui, ó.

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