Idade Pós-Ansiolítica

Hoje as coisas estão confusas, irritadas, ansiosas, nervosas demais.

Tudo está travado, lento por querer ser rápido e acabar por se esbarrar em suas incapacidades.

Toma-se café e açúcar na intenção de acalmar-se e confortar-se, mas só se consegue mais desespero sintético, mais de uma angustia que dá dó.

Perturbam as portas que abrem e fecham incessantemente, as pessoas que passam e despedem-se, cochicham qualquer coisa, desapercebidas, pensam passageiras, caminham com passos que esfolam o chão, estragam as solas, desarrumam o tempo.

Tudo agitado, tudo imune, tudo tenso.

Este é um texto rápido, para uma leitura rápida, assim como a luz do Sol que chega a Terra.

E é só Quinta, imagina Sexta, imagina na Quarta de manhã quando você chegar da viagem de LSD que fez sem o chefe saber.

Imagina como era antes, imagina outro dia.

Porque imaginar agora tá complicado, tem um grito chamando minha atenção aqui do lado, peraí que eu já vou.

Vai-se, vai-se, vai-se cada vez mais pra baixo em busca de algo novo, algo que sacie essa impaciência de implorar para o tempo passar, implorar de pé juntos crucificados numa encruzilhada ardida, nem um minuto a mais.

Nessa gostosa espera de uma novidade, o gozoso momento em que o fim não chega e a agulha adentra cada vez mais em minha testa; fecho os olhos de emoção, antes isso do que ficar sem, aí não!

O meu futuro é nebuloso como a fumaça da chaminé do Papa e os tempos modernos ficaram para trás como a despedida de um filme piegas.

Foi o que apenas escrevi com a cabeça acima das nuvens, cego pelo sol que brilha para todos, todos que querem o sucesso e a fama, uma casa grande e um belo espécime ao lado e que estão cegos por esses normas e leis fajutas como ouro de tolo.

Onde está minha bengala e meus óculos escuros? Só sinto as cicatrizes abertas em minha carniça viva.

Mas no início eram só bobagens cuspidas entre perdigotos de coxinha e coca-cola; agora no fim todos levam a sério como a última coisa em modelo de novidade.

Entendeu? Não?

Não tem problema, eu só escrevi isso para parecer inteligente.

Eu sei que tá fraco como chá de camomila, mas que faz curar sua dor de barriga.

No final, tudo acaba.

É.

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