A baleia cachalote,
que vivia numa caixa,
caixa chata,
chata a lot.

Só ela e ela,
pra lá e pra cá,
num oceano,
raso, chato,
de águas brancas.

Tudo chato,
chato a lot.

Uma cachalote,
caixa caixa,
cachalote,
que vivia,
ela e ela,
só,
pra cá e pra lá,
sozinha,
na sua caixa,
chata caixa,
chata a lot.

Cachalote,
encalhada,
ninguém queria ser sua amiga.

Vilã de Moby Dick,
só queria chocolate.

Cachalote,
que também é conhecida
como sperm whale,
balena dello sperma,
la ballena de esperma,
devido ao seu
espermacete,
capacete
de esperma.

Cachalote,
na chata profundidade,
de sua caixa.

Cachalote,
a maior dos cetáceos,
nem baleia é.

Cachalote,
mergulhada no fundo,
de um mar de porra.

Este não foi meu primeiro blog e nem foi o último, ou será o último. Quando eu leio as coisas nele e nos outros eu percebo que já escrevi bastante, mas poderia ter escrito mais, e até mesmo melhor, ou menos, com mais qualidade, e melhor também. Uma questão de evolução, de pensar as coisas que escrevi e pensei em escrever e só escrevi por escrever e poderia ter revisto melhor, pensado melhor, feito melhor, mas tudo evolução, tudo tempo percorrido, linhas percorridas.

Já fazia um tempo que não escrevia aqui e deve ainda ter um pessoal que acompanha pelo e-mail ou vem aqui ler ou nada disso, nem lê mais, nem existe mais. Deve ser poucos o que param e se atentam a ler o que eu escrevi e escrevo, que nem dão bola, que não tem figurinha é muito chato para e ficar blablabla poesia coisa de fresco história coisa de quem tem tempo. Tens tempo, hein Gabriel, quantas coisas escritas até agora, quais são suas preferidas, quais você não escreveria, o que você faria e ainda deseja fazer. É, muitas coisas, questões, perguntas, sabatinas, coletivas de imprensa, debates, conferências, muita coisa. Tudo isso numa imaginação passageira que eu fico pensando enquanto vou ao banheiro ou fico chapado. Essa última alias, tento ter a pretensão de não ficar mais muitas vezes ou por muito tempo. Demorou, né? No fim, vai fazer bem, tudo que é de mais faz mal, já diziam tantos por ai e eu não vou repetir a mesma ladainha.

E desde que eu criei esse blog, que no começo era para ser de coisas engraçadas, mas que pegou bem uma fase tensa da minha vida e acabou que eu abandonei porque não aguentei o peso das coisas, muitas coisas aconteceram. Também, era para ser assim, ficar parado é coisa pra poste e pro cachorro vir e mijar, já disse num desses escritos perdidos por ai. Foi tanta coisa que eu muitas vezes me pego pensando – chapado ou não – que ainda foi pouco, que poderia ter sido muito mais, sem procrastinação, sem ócio criativo, sem preguiça, mas com vontade, boa intenção, vigor de querer avançar, ir pra frente, crescer. Nem sei quanto tempo passou, mas para mim parece que foi muito e que eu fiz pouco e que na verdade – será? – ou pouco e que eu ainda posso fazer muito.

Isso pode parecer retrospectiva de ano novo, mas apenas estamos na data que este post vai ser publicado, eu tenho 30 anos e ainda faltam mais uns 50 para eu morrer – será? Até lá pretendo escrever mais ainda, ter outros blogs – isso se até lá ainda ter database para armazenar tanta coisa (será que eles não pensam que um dia pode bugar tudo e vir tudo por água abaixo. Ainda vem me falar que o papel vai ser extinto, sei não.) – outros projetos, quem saber plantar uma árvore ou um pé de maconha só para ver crescer, como aquele filho que eu ainda quero ter, mas sabe, ainda, quero, filho, ter… muita coisa. Só faltou o livro, né. Bem, o livro, é… Teve 3, 4, que ninguém nunca comprou. Eram livros mesmo? Bons ou ruins, eram livros mesmo?

Tava vendo aqui faz pouco tempo umas páginas antigas (tô cada vez mais à procura delas, a internet antiga me parecia mais razoável que a de hoje), fui parar na tal do Cardoso On Line, vi que várias pessoas em voga hoje saíram ali, o Galera, o Pellizzari, a Averbuck, um povo ai, e deu no que deu, tão ai, traduzindo, escrevendo, participando de reality show de casais, enfim, tão ai. E eu, tô aqui. Faz tempo que tô, mas faz tempo que muita coisa aconteceu, por mais que pareça que não. Será que eu ainda tõ no começo, passei da primeira fase, ou ainda tô usando uns continues, esse papo reflexivo, vou virar vidraceiro e fazer espelho, mó merda isso. Minha escrita evoluiu, tô usando umas palavras mais bonitas, tô raciocinando mais no que escrevo, também, se eu ficasse no mesmo ponto de quantos anos atrás dai sim eu me acharia um merda, mas até que tenho uns likes no Facebook, o Palavreado tá lá, ainda tem gente que se lembra de mim. É, poderia ser pior, eu poderia ser o MC Biel, poderia ser tanta gente ai, mas eu sou eu. Tamo aí, vamo que vamo que ainda tem muita coisa.

Acho que agora deu, acabou a música aqui e eu quero ouvir outra, só não queria parar o fluxo para ter que trocar de música e me perder todo.

Até outra hora aí. Por enquanto, leiam o que eu escrevi, olhem os outros blogs, conversem entre si, tomem um café, enfim.

(No final, foi nada por nada, ainda voltei para escrever isso. Será mesmo que mudou algo? Já dizia o velho Lee: seja como a água. Mas te digo que muitas vezes parece que tô numa banheira e só tá rodando a roda do moinho. É, enfim.)

 

 

era assim
acordar
abrir o olho
fechar
acordar 15 minutos depois
olhar no celular
olhar pro espelho
se arrumar, virar, se arrumar
levantar
ir no banheiro
mijar
toma banho
enxugar o saco
botar a roupa
comer
escova os dentes
e ir pegar o onibus
aula
aula
aula
aula
comida
aula
conversa
olha pra gatinha
olha pra outra gatinha
aula
conversa
vai embora
onibus
para no ponto
atravessa a avenida
vai pra casa
e ve o cacau menezes
e xinga o cacau menezes
e ve o helio costa
faz tudo isso comendo
mastiga, engole
deglute
e depois
caga
feio né?
dorme
dai dorme
com a tv ligada
escutando espn
comentando futebol
e só futebol
dai dorme
dorme
dorme
abre o olho
ve no celular
fecha o olho
mais 15 minutos
acorda
liga a tv
ve tv
tv te vê
dai levanta
come
e vai pro computador
computa
computa
computa
computa
e levanta
e mija
e bebe água
gloc gloc gloc
que nem cavalo
que nem a tia rita
como dizia
meu pai
gloc gloc gloc
mais
e come
come
e computa
computa
desliga
ve tv
e lê
cansa
escova os dentes
lava o rosto
escuta a tia falar que vai mijar
ela fecha a porta
a mâe fecha a porta
ele apaga a luz
vai pro quarto
ve tv
ve tv
a tv te vê
fecha o olho
e dorme
até a manha seguinte
7:20, depois 7:30, depois 7:40
e continuar vivendo
o cativeiro da vida.

Já cheirei do Brasil. Já cheirei da Argentina, Paraguai, russa, irlandesa, americana, francesa e faltam poucas para ser todas. Aliás, acho que já cheirei todas. Tô te falando, rapaz, de todos os cantos do mundo, de cima a baixo, direita, esquerda. Já cheirei pequena, já cheirei grande, de todos os jeitos, maneiras, de todos os sentidos. Não importava e nem me importa. Gosto e não nego. Velha, nova, passada, não importa, como disse. Não fumo, não bebo, só cheiro. E não minto também, anota aí. Odeio mentira, Deus me livre. Ao todo, acho eu, foram pra mais de mil. Mil não, umas 3 mil, aproximado. Coisa boa cheirar. Já cheirei muita.

Muita calcinha. Adoro.

tomo uma cerveja
e vejo os que passam
passa um, passa dois
passa boi, passa boiada
passa passeata e seus gritos
passa a velha com seus gemidos
passa a louca descabelada

tomo uma cerveja
e vejo os passos
andados, corridos
e quando para o chão
parados olham;
rodam pelas rodas
que nao mais passos dao
mas pelo passeio
passeiam e passam
quando o chao que olham
permitem locomoção

tomo uma cerveja
e vejo passos passarem
pelo bar, pela rua
em busca
do barato barato
que pode sair caro
pela rua, pelo bar
onde poucos passam
e os que passam
sabem, ou não
os passos que dão

tomo uma cerveja
e vejo passarem passos
passo os olhos ao lado
acompanhando a loira
que não passeia, desfila
seus atributos rosbustos
que não são tantos
contudo são muitos
pelo salão até o
balcao

tomo uma cerveja
e vejo passarem
o tempo
o dia
a vida
tudo passa
menos o cobrador e o motorista
e quem me disse isso
já passou dessa
pruma melhor

tomo uma cerveja
e vejo passos
os dos outros, claro
porque os meus
já nao sabem mais
por onde passam
pois depois de tanta cerveja
fica a certeza
de que do chão
eu nao passo.

cansei
da sua autoridade barata
nojenta como uma barata
do sujo esgoto
profundo que polui
pecado que seduz
tal como suas palavras
repulsa
que pulsa nos meus ouvidos
e perturbam, infernos!
como a noite mal dormida
pela porra dum mosquito

seus ensinamentos fracos
exemplos fracos
um por um
tal por tal
qual por qual
tudo me basta
entulho que só atrapalha
sufoca, mata
me acorde, me bata!
pesadelo
palavras babosas
escamosas
lingua de komodo
palavras que ferem
palavras que fedem

se há alguem a duvidar
em voce é que acredito
para suas crenças
lacro meu nariz
isolo minha boca
cimento meus ouvidos
paralisa e extermina
napalm no vietnamita
e o melhor de tudo
nao é triste dizer isso
conheça a realidade
voce precisa saber a verdade
que para voce é tao inutil
como perguntar prum judeu
pra que um nazista
é util?

o tudo saiu de linha
virou pano de cozinha
nos altos desfiles
das lojas de botiques
casas populares
que não saem
da boca do povo
e que esvazia
o bolso do
desoxigenado loiro
foi determinado
pela presidente
assinado
a moda agora
é o nada.

a poltrona
doze velocidades
massageadora
mobilizadora
de partes obscuras
e isoladas?
a cobertura
nas alturas
que de tão grande
seu vizinho
é um gigante?
a viagem
pras miragens
do deserto
no meio do
oasis?
nada, humano!
voce nao precisa disso
nadica de nada
de tudo isso

a blusa do
jacaré do papo amarelo?
a bolsa
com desenhos
hipnolépticos?
a calça do
comercial ba(ca)nal?
a cueca
de seda vermelha
pra desfarçar
a safada crueza
do sangue infantil?
pra que
ter?
ter ter ter
uxi!

nada é bom
nada é ótimo
nada é nada
nada é a parada
ter nada
não ocupa espaço
não causa estrago
e aumenta suas
expectativas
de levar uma vida
menos sofrida
pra que ter?
pra que ser?
pra que estar?
pra que gastar, usar
e depois
jogar no lixo
e esquecer
de tudo daquilo?

nada é o infinito
nada é o absoluto
nada é o futuro
rumo ao nada
o absurdo de bom
sem preocupaçoes
nem contra indicações
você não tem
e você não precisa
e assim
fica de bem
com a vida
sem cutucações
preocupaçoes
indecisões
e prisão de ventre